2025: O ano em que o México reivindica o seu lugar nos mercados financeiros globais

Em 2025, a Bolsa Mexicana de Valores destaca-se como uma das histórias de sucesso menos esperadas do ano. Enquanto os investidores globais mantêm cautela perante a incerteza política dos Estados Unidos, o mercado bolsista mexicano acumula um avanço de 21,7% nos últimos 12 meses, superando os principais índices norte-americanos. Este repunte colocou sob os holofotes as empresas cotadas na bolsa mexicana de valores, particularmente aquelas que lideram os setores de consumo, telecomunicações e mineração.

A Bolsa Mexicana de Valores: Um mercado compacto mas resiliente

A Bolsa Mexicana de Valores consolidou-se como instituição em 1978, resultado da fusão de três bolsas regionais. Hoje é a segunda maior da América Latina e a quinta do continente americano. Ao contrário de mercados mais diversificados, o México opera com 145 empresas cotadas (140 de capital mexicano), um portefólio relativamente concentrado que reflete a estrutura económica do país.

O S&P/BMV IPC, principal índice que representa o desempenho do mercado, é composto por 35 ações ponderadas por capitalização. Este índice é revisto duas vezes por ano (março e setembro) e calculado em tempo real. As suas métricas atuais revelam um mercado em expansão: rendimento anualizado de 29% a um ano, 15% a cinco anos e 6,44% a dez anos.

A estrutura do índice reflete a economia mexicana: produtos de consumo básico representam 30,9% do peso setorial, materiais 26,2% e industrial 12,3%. A capitalização média ronda os 221.939 milhões de MXN, com intervalos que vão desde 17.882 milhões até 1.279.282 milhões nos casos mais extremos.

Os grandes capitais: Quem domina as empresas da bolsa mexicana de valores

As dez empresas que cotam na bolsa mexicana de valores com maior capitalização concentram aproximadamente 80% do valor total do mercado. Esta concentração não é acidental: reflete como o capital mexicano se agrupa em grandes conglomerados multissetoriais.

Lidera a lista Grupo México (GMEXICO B) com 1,27 B MXN de capitalização. Este conglomerado opera em mineração, transporte e infraestrutura, posicionando-se como o terceiro maior produtor de cobre do mundo. No terceiro trimestre de 2025, as suas receitas cresceram 11% até 4.590 milhões de dólares, com uma utilidade líquida que disparou mais de 50% para 1.290 milhões de dólares. Os analistas projetam alguma correção, com preço-alvo de 149,42 MXN face aos atuais 158,68-162,51 $.

Walmart de México (WALMEX) ocupa a segunda posição com 1,10 B MXN. Como líder no retalho, gere desde hipermercados até clubes de desconto no México e na América Central. As suas vendas no segundo trimestre atingiram 246.253,8 milhões de pesos (crescimento face a 227.415,1 do ano anterior), embora a utilidade líquida tenha caído ligeiramente para 11.226,9 milhões de pesos. Barron’s mantém recomendação de “sobreponderar”, com rácio PER de 21,86 e rendimento por dividendo de 3,83%.

Grupo Financeiro Banorte (GF NORTE) soma 536,93 mil M MXN em capitalização. Como segundo maior banco do México e da América Latina, administra 22 milhões de clientes através de mais de 1.000 agências. O seu resultado líquido do terceiro trimestre foi de 13.008 milhões de pesos (queda de 9% interanual), mas o consenso dos analistas mantém recomendação de “sobreponderar”. Com rácio PER de 9,02, é um dos mais atrativos em termos de avaliação.

Fomento Económico Mexicano (FEMSA) (FEMSA UBD) soma 583,28 mil M MXN, operando como o maior engarrafador da Coca-Cola a nível mundial. A sua presença estende-se a 17 países na Europa e América Latina. No terceiro trimestre, as receitas cresceram 9,1% até 214.638 milhões de pesos, embora a utilidade líquida tenha caído 36,8% para 5.838 milhões de pesos devido a pressões cambiais. Oferece elevado rendimento por dividendo (7,4%) apesar do rácio PER de 38,85.

América Móvil (AMX B) fecha o ciclo dos líderes com 70,81 mil M USD. Esta multinacional de telecomunicações opera em 23 países, servindo mais de 323 milhões de utilizadores. No terceiro trimestre, registou receitas de 232.920 milhões de pesos mexicanos (crescimento de 4,2% interanual) e utilidade líquida de 22.700 milhões. O consenso dos analistas mantém recomendação de “Compra” com preço-alvo de 21.323 MXN para os próximos 12 meses.

Estas cinco empresas cotadas na bolsa mexicana de valores concentram 44,2% da capitalização bolsista total e 55,8% do valor do índice S&P/BMV IPC, confirmando que o mercado mexicano é altamente concentrado em atores de grande escala.

O contexto macroeconómico que sustenta o crescimento

O desempenho de 2025 não pode desvincular-se do ambiente macroeconómico. A inflação baixou para 3,5% ao ano, permitindo ao Banco do México iniciar cortes graduais nas taxas de juro. Embora exista cautela sobre a inflação subjacente, as condições financeiras estão mais estáveis do que em anos anteriores.

O peso mexicano tem mostrado resiliência surpreendente. Apesar das tensões comerciais originadas pela reeleição de Donald Trump nos Estados Unidos e tarifas de 25% sobre produtos mexicanos, a moeda moveu-se dentro de intervalos limitados sem depreciações abruptas. Esta força reduziu as pressões sobre os custos operacionais das grandes corporações.

O fluxo de investimento relacionado com o nearshoring continua a entrar no país, apoiando tanto a economia real como o mercado de capitais. Este fator, aliado à força do consumo interno, permitiu à Bolsa Mexicana manter o momentum de alta mesmo em meses de máxima volatilidade global.

Uma estratégia de carteira em tempos de reconfiguração

Para investidores concentrados historicamente em ativos norte-americanos, 2025 apresenta um cenário de reavaliação. O S&P/BMV IPC, em níveis de 63.000-64.000 pontos, sugere que as empresas da bolsa mexicana de valores consolidaram ganhos num contexto que muitos esperavam ser negativo.

Uma carteira equilibrada poderia combinar: exposição selectiva às grandes capitalizações mexicanas (Grupo México, Walmart de México, FEMSA), presença em valores de menor dimensão com potencial dentro da estrutura do índice, obrigações locais mexicanas para captar rendimentos de taxa, e ativos norte-americanos de forma seletiva para diversificação geográfica.

Esta combinação permite captar diferenciais de rendimento, mitigar riscos cambiais e geopolíticos, e aproveitar a força relativa do mercado mexicano num ano de transformações globais significativas. O desafio está em identificar, entre as empresas cotadas na bolsa mexicana de valores, aquelas com modelos de negócio resilientes face à volatilidade comercial sustentada.

Ver original
Esta página pode conter conteúdo de terceiros, que é fornecido apenas para fins informativos (não para representações/garantias) e não deve ser considerada como um endosso de suas opiniões pela Gate nem como aconselhamento financeiro ou profissional. Consulte a Isenção de responsabilidade para obter detalhes.
  • Recompensa
  • Comentário
  • Repostar
  • Compartilhar
Comentário
0/400
Sem comentários
  • Marcar

Negocie criptomoedas a qualquer hora e em qualquer lugar
qrCode
Escaneie o código para baixar o app da Gate
Comunidade
Português (Brasil)
  • 简体中文
  • English
  • Tiếng Việt
  • 繁體中文
  • Español
  • Русский
  • Français (Afrique)
  • Português (Portugal)
  • Bahasa Indonesia
  • 日本語
  • بالعربية
  • Українська
  • Português (Brasil)