Já vi investidores serem destruídos na véspera da falência de uma empresa por não saber interpretar os dados financeiros. A causa principal é não saber ler os dados financeiros. Hoje, vamos começar por um indicador negligenciado, mas extremamente importante — o ratio de garantia — e ensinar como, com uma fórmula simples, você pode identificar armadilhas financeiras antes que seja tarde.
Como o caso revela o verdadeiro poder do ratio de garantia
No final de 2022, o gigante de cosméticos Revlon quebrou de forma abrupta. Seus ativos tinham apenas 2,52 bilhões de dólares, enquanto suas dívidas atingiam 5,02 bilhões de dólares. Segundo a fórmula do ratio de garantia: 2,52 ÷ 5,02 = 0,5, esse número já grita “perigo”.
Em comparação, na mesma época, o ratio de garantia da Tesla atingia 2,259, enquanto o da Boeing era 0,896. Três empresas, três destinos — essa é a história que o ratio de garantia quer nos contar.
O que exatamente o ratio de garantia mede?
Simplificando, o ratio de garantia é uma “pontuação geral de capacidade de pagamento de dívidas” da empresa.
Muita gente confunde com o ratio de liquidez. A diferença entre eles é:
ratio de liquidez: avalia se há dinheiro suficiente para cobrir obrigações de curto prazo (até 1 ano)
ratio de garantia: avalia se os ativos totais são suficientes para pagar todas as dívidas, incluindo o longo prazo
Uma empresa pode parecer saudável no curto prazo, com caixa suficiente, mas se suas dívidas de longo prazo estiverem pesando, e seus ativos estiverem encolhendo, ela está “ficticiamente forte” — e é exatamente isso que o ratio de garantia revela.
Basta essa fórmula
A fórmula do ratio de garantia é extremamente simples:
Ratio de garantia = Ativos Totais ÷ Dívidas Totais
Exemplo com a Tesla:
Ativos Totais: 823,4 bilhões de dólares
Dívidas Totais: 364,4 bilhões de dólares
Ratio de garantia = 823,4 ÷ 364,4 = 2,259
Com a Boeing:
Ativos Totais: 1371 bilhões de dólares
Dívidas Totais: 1529,5 bilhões de dólares
Ratio de garantia = 1371 ÷ 1529,5 = 0,896
A lógica por trás dos números
O cálculo do ratio de garantia é só o primeiro passo; o mais importante é entender o que esse número indica:
ratio de garantia < 1,5: sinal de perigo
A dívida da empresa já está bastante elevada. No caso da Revlon, 0,5 significa que, para cada dólar de dívida, há menos de 0,5 dólar em ativos. É uma alavancagem financeira suicida. Empresas assim estão à beira da falência ou já estão em processo de falência.
ratio de garantia entre 1,5 e 2,5: faixa saudável
A maioria das empresas bem geridas fica nessa faixa. Indica que há ativos suficientes para cobrir as dívidas, com uma estrutura de endividamento razoável.
ratio de garantia > 2,5: atenção necessária
À primeira vista, parece bom, mas muitas vezes indica que a empresa tem uma estrutura de ativos pouco eficiente (muitos ativos ociosos) ou subestimou sua capacidade de financiamento (baixa eficiência no uso de recursos). Tesla, por exemplo, está nessa faixa, mas não é uma empresa problemática; ela é uma companhia de tecnologia que precisa de altos ativos para sustentar a pesquisa e desenvolvimento.
Por que os bancos valorizam tanto a fórmula do ratio de garantia?
Instituições financeiras, ao decidir conceder empréstimos, avaliam o prazo do financiamento:
Empréstimos de curto prazo (até 1 ano) → avaliam o ratio de liquidez
Limite de crédito, desconto comercial, leasing, etc. — o banco quer saber: “Você consegue pagar neste mês?”
Empréstimos de longo prazo (mais de 1 ano) → avaliam o ratio de garantia
Empréstimos para máquinas, imóveis, leasing industrial — o banco exige que o ratio de garantia seja sólido
Porque, em caso de dificuldades, só ativos suficientes garantirão que o credor não perca tudo
Revisão histórica: por que o ratio de garantia de uma mesma empresa pode variar tanto?
Antes da pandemia, o ratio de garantia da Boeing era muito melhor do que os atuais 0,896. Durante a crise, pedidos de aviões despencaram, a receita caiu drasticamente, mas as dívidas aumentaram (para sobreviver, precisaram tomar mais empréstimos). Como resultado, os ativos encolheram, as dívidas cresceram, e o ratio de garantia piorou bastante.
Por isso, avaliar apenas o ratio de garantia de um ano não é suficiente; é preciso analisar a tendência ao longo de 5 a 10 anos. Uma trajetória descendente constante é mais preocupante do que qualquer sistema de alerta precoce.
As três principais utilidades do ratio de garantia
1. Comparar empresas de tamanhos diferentes
Seja startup ou gigante, a fórmula do ratio de garantia é aplicável, permitindo comparações justas entre empresas de diferentes portes.
2. Detectar sinais de falência
Dados históricos mostram que todas as empresas que faliram apresentaram deterioração significativa do ratio de garantia nos 6 a 12 meses anteriores. Essa métrica tem alta precisão preditiva.
3. Encontrar oportunidades de venda a descoberto
Ao combinar com o ratio de liquidez, se ambos piorarem ao mesmo tempo, há alta probabilidade de oportunidade de venda a descoberto. O caso da Revlon foi exatamente assim — ambos os indicadores falharam, levando à falência inevitável.
Armadilhas que todo investidor deve conhecer
Por mais útil que seja, o ratio de garantia tem limitações:
Diferenças setoriais: empresas de tecnologia, por exemplo, precisam de ativos elevados para sustentar pesquisa e inovação, não se pode usar os mesmos padrões de manufatura tradicional
Risco de manipulação contábil: empresas podem reavaliar ativos, fazer transações com partes relacionadas, para melhorar artificialmente o ratio de garantia
Normas contábeis diferentes: GAAP dos EUA e IFRS internacionais têm critérios distintos para reconhecimento de ativos, o que pode gerar variações nos dados de uma mesma empresa
Portanto, embora a fórmula seja simples, sua interpretação deve considerar o contexto da empresa, seu histórico e o setor de atuação.
Por fim
O ratio de garantia é como um “relatório de saúde” da empresa. Um bom número indica que a empresa consegue resistir a tempestades; um número ruim é um countdown para o colapso.
Na próxima vez que for avaliar um investimento, não olhe só para o preço das ações. Reserve dois minutos para calcular o ratio de garantia com essa fórmula — você verá mais cedo do que 90% dos investidores qual é a verdadeira condição da empresa. Como o caso da Revlon nos ensina: os dados financeiros não mentem, basta saber interpretá-los.
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Liberte-se das zonas cegas financeiras: use a fórmula de ratio de garantia para identificar rapidamente o risco empresarial
Já vi investidores serem destruídos na véspera da falência de uma empresa por não saber interpretar os dados financeiros. A causa principal é não saber ler os dados financeiros. Hoje, vamos começar por um indicador negligenciado, mas extremamente importante — o ratio de garantia — e ensinar como, com uma fórmula simples, você pode identificar armadilhas financeiras antes que seja tarde.
Como o caso revela o verdadeiro poder do ratio de garantia
No final de 2022, o gigante de cosméticos Revlon quebrou de forma abrupta. Seus ativos tinham apenas 2,52 bilhões de dólares, enquanto suas dívidas atingiam 5,02 bilhões de dólares. Segundo a fórmula do ratio de garantia: 2,52 ÷ 5,02 = 0,5, esse número já grita “perigo”.
Em comparação, na mesma época, o ratio de garantia da Tesla atingia 2,259, enquanto o da Boeing era 0,896. Três empresas, três destinos — essa é a história que o ratio de garantia quer nos contar.
O que exatamente o ratio de garantia mede?
Simplificando, o ratio de garantia é uma “pontuação geral de capacidade de pagamento de dívidas” da empresa.
Muita gente confunde com o ratio de liquidez. A diferença entre eles é:
Uma empresa pode parecer saudável no curto prazo, com caixa suficiente, mas se suas dívidas de longo prazo estiverem pesando, e seus ativos estiverem encolhendo, ela está “ficticiamente forte” — e é exatamente isso que o ratio de garantia revela.
Basta essa fórmula
A fórmula do ratio de garantia é extremamente simples:
Ratio de garantia = Ativos Totais ÷ Dívidas Totais
Exemplo com a Tesla:
Com a Boeing:
A lógica por trás dos números
O cálculo do ratio de garantia é só o primeiro passo; o mais importante é entender o que esse número indica:
ratio de garantia < 1,5: sinal de perigo
A dívida da empresa já está bastante elevada. No caso da Revlon, 0,5 significa que, para cada dólar de dívida, há menos de 0,5 dólar em ativos. É uma alavancagem financeira suicida. Empresas assim estão à beira da falência ou já estão em processo de falência.
ratio de garantia entre 1,5 e 2,5: faixa saudável
A maioria das empresas bem geridas fica nessa faixa. Indica que há ativos suficientes para cobrir as dívidas, com uma estrutura de endividamento razoável.
ratio de garantia > 2,5: atenção necessária
À primeira vista, parece bom, mas muitas vezes indica que a empresa tem uma estrutura de ativos pouco eficiente (muitos ativos ociosos) ou subestimou sua capacidade de financiamento (baixa eficiência no uso de recursos). Tesla, por exemplo, está nessa faixa, mas não é uma empresa problemática; ela é uma companhia de tecnologia que precisa de altos ativos para sustentar a pesquisa e desenvolvimento.
Por que os bancos valorizam tanto a fórmula do ratio de garantia?
Instituições financeiras, ao decidir conceder empréstimos, avaliam o prazo do financiamento:
Empréstimos de curto prazo (até 1 ano) → avaliam o ratio de liquidez
Empréstimos de longo prazo (mais de 1 ano) → avaliam o ratio de garantia
Revisão histórica: por que o ratio de garantia de uma mesma empresa pode variar tanto?
Antes da pandemia, o ratio de garantia da Boeing era muito melhor do que os atuais 0,896. Durante a crise, pedidos de aviões despencaram, a receita caiu drasticamente, mas as dívidas aumentaram (para sobreviver, precisaram tomar mais empréstimos). Como resultado, os ativos encolheram, as dívidas cresceram, e o ratio de garantia piorou bastante.
Por isso, avaliar apenas o ratio de garantia de um ano não é suficiente; é preciso analisar a tendência ao longo de 5 a 10 anos. Uma trajetória descendente constante é mais preocupante do que qualquer sistema de alerta precoce.
As três principais utilidades do ratio de garantia
1. Comparar empresas de tamanhos diferentes
Seja startup ou gigante, a fórmula do ratio de garantia é aplicável, permitindo comparações justas entre empresas de diferentes portes.
2. Detectar sinais de falência
Dados históricos mostram que todas as empresas que faliram apresentaram deterioração significativa do ratio de garantia nos 6 a 12 meses anteriores. Essa métrica tem alta precisão preditiva.
3. Encontrar oportunidades de venda a descoberto
Ao combinar com o ratio de liquidez, se ambos piorarem ao mesmo tempo, há alta probabilidade de oportunidade de venda a descoberto. O caso da Revlon foi exatamente assim — ambos os indicadores falharam, levando à falência inevitável.
Armadilhas que todo investidor deve conhecer
Por mais útil que seja, o ratio de garantia tem limitações:
Portanto, embora a fórmula seja simples, sua interpretação deve considerar o contexto da empresa, seu histórico e o setor de atuação.
Por fim
O ratio de garantia é como um “relatório de saúde” da empresa. Um bom número indica que a empresa consegue resistir a tempestades; um número ruim é um countdown para o colapso.
Na próxima vez que for avaliar um investimento, não olhe só para o preço das ações. Reserve dois minutos para calcular o ratio de garantia com essa fórmula — você verá mais cedo do que 90% dos investidores qual é a verdadeira condição da empresa. Como o caso da Revlon nos ensina: os dados financeiros não mentem, basta saber interpretá-los.