O que é o princípio da suficiência: significado profundo e aplicações na era moderna

Princípios de uma vida sustentável surgiram a partir do discurso do Rei Bhumibol Adulyadej, que propôs uma abordagem de vida baseada no equilíbrio, não na busca ilimitada por riqueza. Pessoas comuns, famílias, comunidades e entidades governamentais podem aplicar esse conceito para criar uma existência estável, sem depender de terceiros ou de recursos externos incertos.

O quadro conceitual tem como base a observação da economia desde a década de 1960, quando o país focou no desenvolvimento através de empréstimos internacionais e na exportação de produtos agrícolas, o que resultou na exploração ambiental e na desigualdade de renda severa. Assim, foi orientado a buscar formas de sustentabilidade fundamentadas na satisfação e no planejamento racional.

Histórico do conceito de suficiência

Em 1974, marcou-se o início quando o Rei Bhumibol Adulyadej concedeu uma palestra aos estudantes da Universidade de Kasetsart, enfatizando a importância de construir uma vida de “suficiência, alimentação e uso moderado” para diferentes classes sociais.

No final de 1996, o monarca fez uma advertência reiterada, dizendo que liderar um país não é tão importante quanto possuir uma base econômica sólida. Exemplificou que uma vila ou distrito deve ter um nível de suficiência; alguns produtos podem ser produzidos em excesso para venda, mas não devem ser levados ao ponto de incorrer em altos custos de transporte. A crise econômica de 1997 reforçou a aceitação e a aplicação ampla desse princípio.

Posteriormente, a (ONU) em 2006 reconheceu o valor do conceito de economia de suficiência e chamou o Rei Bhumibol de “Rei Desenvolvedor”, concedendo-lhe o prêmio de Lifetime Achievement na área de Desenvolvimento Humano.

Lacuna principal do conceito: 3 círculos e 2 condições

O núcleo do conceito reside na prática de uma vida no caminho do meio, com mecanismos básicos:

Componentes principais (3 círculos)

1. Moderação
Consiste em controlar a renda e os gastos de acordo com a condição de vida, evitando buscar lucros de forma desonesta, não se arriscar por dinheiro, ou contrair dívidas excessivas que levem a um endividamento prolongado. Encontrar o equilíbrio entre receita e despesa é a base da estabilidade.

2. Racionalidade
Não se trata de decisões impulsivas, mas de estudar, analisar e planejar antes de agir. Por exemplo, ao ingressar em uma nova profissão, deve-se avaliar a própria capacidade, o mercado, os riscos e os objetivos, considerando possíveis cenários e preparando estratégias de resposta.

3. Sistema de autoproteção
Refere-se à prontidão para se adaptar ao perceber sinais de perigo ou mudanças no mercado. Seja em uma crise econômica ou em negócios que não seguem o plano, indivíduos ou organizações devem ter reservas ou alternativas para evitar a perda total.

Condições de apoio (2 condições)

Conhecimento e compreensão
Para um trabalho eficiente, é necessário conhecimento técnico e experiência acumulada. Empreendedores devem aprender consigo mesmos e com os experientes, para tomar decisões e resolver problemas de forma adequada. Esse sistema de aprendizagem torna-se uma proteção para si próprio.

Virtudes e justiça
Empregar a honestidade na profissão, sem explorar clientes, trabalhadores ou fornecedores, e trabalhar com diligência e integridade não só constrói uma boa reputação, mas também fundamenta a confiança e a segurança ao longo da vida.

Aplicação na agricultura

Agricultura diversificada
Continua sendo uma forma popular, pois ajuda a reduzir riscos. Se o arroz não for bem colhido, ainda há hortaliças, peixes e outros animais de criação. Assim, a família pode gerar renda de várias fontes e diminuir a dependência de mercados instáveis.

Agricultura baseada em ciência (Nova teoria)
De forma inicial, os agricultores dividem um hectare de terra em 4 partes na proporção de 30:30:30:10, para cultivo, escavação de reservatórios, criação de animais e outras atividades, baseando-se em dados e necessidades reais, não em tentativa e erro.

Em níveis mais avançados, grupos de agricultores se unem para criar mercados, negociar com intermediários, evitando que os preços sejam manipulados, ou estabelecer cooperativas para obter capital de giro para os vizinhos.

Aplicação no setor empresarial e industrial

Empreendedores que seguem o princípio da suficiência geralmente não focam apenas no máximo lucro, mas na estabilidade a longo prazo. Optam por tecnologias e recursos de baixo custo, porém de qualidade, gerenciando a produção de acordo com suas capacidades.

Por exemplo, podem optar por produzir menos, mas com alta qualidade, para evitar que as engrenagens da empresa quebrem, fortalecendo a reputação da marca. Em vez de produzir em grande quantidade com produtos de baixa qualidade.

Além disso, utilizam matérias-primas locais para apoiar a economia comunitária, facilitar a logística e aumentar a flexibilidade para lidar com mudanças rápidas.

Como aplicar na vida diária

Para indivíduos, aplicar o conceito de economia de suficiência significa:

  • Estudar e desenvolver habilidades continuamente para agregar valor a si mesmo, ao invés de esperar por sorte ou assistência incerta.
  • Poupar e planejar as finanças de modo a garantir autonomia financeira por 3, 6 meses ou 1 ano.
  • Escolher profissões com ética, evitando subornos, exploração ou métodos ilegais de obtenção de renda.
  • Manter equilíbrio entre trabalho, descanso, aprendizado e atividades pessoais, para evitar estresse e manter a saúde.
  • Decidir com cautela antes de grandes mudanças, como trocar de emprego, investir ou adquirir bens.

Como aplicar na sociedade e no país

A economia de suficiência não se limita ao indivíduo, podendo ser expandida para comunidades, sociedade e políticas nacionais. Criar mercados locais, proteger a produção local, para que pequenos empresários possam competir sem depender de estrangeiros.

No contexto dos “Objetivos de Desenvolvimento Sustentável” da ONU, esse princípio responde às demandas, promovendo um desenvolvimento que atende às necessidades atuais sem comprometer as oportunidades das futuras gerações, ao contrário do desenvolvimento predatório do passado.

Conclusão

O conceito de suficiência tem se disseminado entre os brasileiros há mais de 30 anos. Não é apenas uma previsão ou uma narrativa, mas uma estrutura prática para construir segurança pessoal, familiar, comunitária e nacional.

Com muitos agricultores, o país deve revisitar esse conceito para promover um crescimento agrícola sustentável, não apenas ano a ano, mas ao longo de décadas.

Por fim, a economia de suficiência não se limita à agricultura. Todos os setores econômicos, desde finanças, indústria, imóveis até comércio internacional, podem adaptar seus princípios, baseando-se na moderação, racionalidade e preparação para diferentes situações.

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