Muitas pessoas sentem-se tanto curiosas quanto céticas em relação ao investimento em ações. Alguns veem-no como uma forma de especulação ou jogo de azar, enquanto outros o consideram um meio racional de alocação de ativos. Ambas as opiniões não são completamente precisas. Para realmente obter lucros com o investimento em ações, primeiro é preciso abandonar estereótipos e construir uma estrutura de compreensão correta.
Qual é a essência do investimento em ações
Para entender o investimento em ações, primeiro é necessário esclarecer a definição de ações.
Ações são certificados de participação na propriedade de uma empresa. Quando uma empresa precisa de financiamento, ela divide seu capital em várias partes e as vende, sendo que cada certificado corresponde a uma ação. Possuir ações significa que você se torna um acionista da empresa, tendo uma proporção correspondente de propriedade.
Essa propriedade se manifesta em dois aspectos: direito de voto e direito a dividendos. Tomemos como exemplo uma empresa listada: se você possui 2% das ações, do ponto de vista legal, você detém 2% do patrimônio da empresa e tem 2% do direito de voto. Mesmo que sua participação seja mínima (por exemplo, 0,01%), esse direito existe de fato.
No entanto, é importante notar que as ações não têm valor de uso real. Elas representam uma opção sobre os lucros futuros da empresa. Quando a empresa opera bem e seus lucros crescem, o valor das ações aumenta; caso contrário, diminui.
Os lucros do investimento em ações vêm de duas fontes: uma é o pagamento de dividendos pela empresa, e a outra é a diferença de preço na compra e venda, ou seja, a valorização do ativo.
Os dividendos realmente podem fazer o investidor lucrar?
Muitos iniciantes têm a fantasia de que quanto mais dividendos, melhor. Mas a realidade não é assim.
Por exemplo: uma empresa com valor de mercado de 10 bilhões de euros, emitindo 10 bilhões de ações, a 1 euro cada. Este ano, ela lucrou 2 bilhões de euros, e seu valor de mercado sobe para 12 bilhões, com o preço por ação passando para 1,2 euros.
Se a empresa decidir distribuir esses 2 bilhões de euros de lucro como dividendos, pagando 0,2 euros por ação, o valor de mercado volta a 10 bilhões, e o preço por ação cai para 1 euro. Do ponto de vista da conta, o valor que você tinha na sua carteira aumentou, mas apenas mudou de forma — de ações para dinheiro. Basicamente, se a empresa distribui ou não dividendos, o impacto no retorno do investimento é pequeno.
O que realmente faz o investidor lucrar é o crescimento do valor das ações refletido nos resultados de longo prazo da gestão da empresa.
O que realmente determina o preço das ações
Muitas pessoas dizem: “Se a empresa lucra, o preço sobe; se há escândalos, o preço cai”, mas essa é uma compreensão parcial.
O preço das ações é determinado pela lei da oferta e da procura, que é a regra mais fundamental do mercado.
Quando o preço de uma ação mostra 10 euros, esse é o último preço de negociação. O book de ordens na plataforma de negociação mostra as ofertas de compra e venda em diferentes níveis de preço. Se alguém compra uma grande quantidade a 10,5 euros, o preço será empurrado para cima até esse valor. E vice-versa.
Porém, a oferta e a procura por si só são influenciadas por muitos fatores:
Fundamentais da empresa (lucros, potencial de crescimento)
Situação macroeconômica
Perspectivas do setor
Sentimento e expectativas dos investidores
Fluxo de capital (se os principais acionistas estão vendendo, se há entrada de fundos institucionais, etc.)
Por exemplo, uma empresa com bom desempenho deveria subir, mas se um grande acionista precisa de dinheiro rapidamente e vende uma grande quantidade de ações, o preço pode cair. Isso é um exemplo de desalinhamento entre expectativa e realidade.
Portanto, o que realmente movimenta o preço das ações é a expectativa coletiva dos participantes do mercado, que se reflete na oferta e na procura por meio das negociações.
Diferentes tipos de ações e mercados de negociação
Investir em ações não se limita a uma única abordagem.
Classificando por tipo de ação:
Ações ordinárias: são o tipo mais comum, cujo detentor tem direitos completos de acionista — participar das votações e receber dividendos.
Ações preferenciais: oferecem maior rendimento, mas com maior risco, e não dão direito a voto. São como uma promessa de retorno fixo ou variável.
Classificando por mercado:
Mercado primário: onde ocorre a emissão de ações de empresas não listadas, com barreiras de entrada elevadas, principalmente para fundos de venture capital.
Mercado secundário: onde as ações de empresas já listadas são negociadas, sendo o principal ambiente de participação para investidores comuns.
Regras de negociação que o iniciante deve entender
Antes de entrar no investimento em ações, é importante conhecer as regras básicas de negociação.
As regras variam bastante entre os mercados. Alguns adotam o sistema T+2 (compra hoje, venda só após dois dias úteis), outros o T+0 (compra e venda no mesmo dia). Algumas bolsas limitam a variação de preço (por exemplo, 10%), enquanto outras não têm limite. Os horários de negociação, o lote mínimo, os custos de transação, tudo pode ser diferente.
Antes de investir, o investidor deve entender esses detalhes, para evitar prejuízos.
Três estratégias diferentes de investimento em ações
Cada investidor deve escolher uma estratégia adequada ao seu perfil e ao seu entendimento do mercado.
Estratégia 1: Investimento em valor de longo prazo
É a abordagem mais segura. O investidor estuda profundamente os dados financeiros, a competitividade e a posição no setor da empresa, escolhendo aquelas com forte capacidade de lucro a longo prazo e potencial de crescimento, comprando e mantendo por um período prolongado.
Essa estratégia exige capital suficiente e paciência. Mas, a longo prazo, se a escolha for acertada, os retornos podem ser expressivos. Afinal, o lucro da empresa tende a elevar seu valor de mercado, e esse crescimento se reflete diretamente no preço das ações.
Estratégia 2: Trading de curto prazo (swing trading)
Consiste em buscar oportunidades de compra e venda em diferentes fases do movimento do preço. Compra-se em momentos de baixa e vende-se em momentos de alta, buscando lucrar com as oscilações de curto prazo.
Requer uma análise de tendência forte. O mercado sempre sobe e desce, o segredo é acompanhar o ritmo e seguir a tendência. Normalmente, opera-se em ações em tendência de alta, evitando comprar ações que já tiveram altas expressivas.
Estratégia 3: Trading com alavancagem
Para investidores com capital limitado que desejam acelerar seus ganhos, investir com alavancagem pode ser uma opção. Como alternativa ao investimento de longo prazo, pode-se usar derivativos como contratos por diferença (CFDs).
A alavancagem permite controlar posições maiores com pouco capital. Ferramentas como CFDs oferecem maior flexibilidade — podem ser usadas para posições longas ou curtas, com operações T+0 (múltiplas entradas e saídas no mesmo dia), e cobrem diversos ativos (índices, commodities, criptoativos, etc.).
Porém, a alavancagem é uma espada de dois gumes: aumenta ganhos, mas também aumenta perdas. Se a previsão estiver errada, a perda pode ser rápida. Iniciantes devem usar com muita cautela.
Como o iniciante deve começar a investir em ações
Se você decidiu ingressar no mercado de ações, aqui estão os passos essenciais:
Primeiro passo: aprender o básico
Conhecimentos financeiros, psicologia do trading, análise de mercado — tudo isso precisa ser estudado. Mas é importante destacar que — não se deve confiar cegamente na análise técnica. Muitos livros populares de análise técnica simplificam demais as coisas. O valor real da análise técnica está na prática e na experiência, não na aplicação mecânica de métodos de terceiros.
A razão é simples: se o mercado fosse um jogo de soma zero (o valor de mercado não muda no curto prazo) e todos usassem a mesma análise técnica, quem pagaria pelos lucros de você?
Segundo passo: praticar em conta demo
Não invista dinheiro real de imediato. Use plataformas de simulação para se familiarizar com a interface, entender as oscilações de preço e testar sua psicologia de trading. Essa é a forma mais rápida de aprender.
Terceiro passo: começar com pequenos valores
Quando estiver preparado, comece a operar com valores pequenos. Cada operação real ensinará algo que o estudo não consegue transmitir.
Quarto passo: fazer análises e ajustes contínuos
Mantenha um registro de cada operação, analise os acertos e erros. Investir em ações é como jogar cartas: seus adversários são instituições com grandes recursos e traders experientes. Só aprendendo e evoluindo constantemente você sobreviverá nesse mercado.
Resumo das principais percepções
Sobre o investimento em ações, o iniciante deve lembrar-se destas pontos:
A ação é um certificado de participação na propriedade de uma empresa, representando direitos de propriedade e dividendos, mas sem valor de uso próprio
Os lucros vêm de dividendos e da valorização do preço
O preço das ações é definido pela oferta e procura, influenciado por múltiplos fatores
Investimento em valor de longo prazo, trading de curto prazo e trading com alavancagem têm vantagens e riscos, sendo importante escolher a estratégia que melhor se adapta ao perfil
Um investidor bem-sucedido deve ser um aprendiz contínuo, com visão, julgamento e resiliência emocional
O mundo do investimento em ações é cheio de oportunidades, mas também de armadilhas. No final, quem realmente lucra não são aqueles que assumem os maiores riscos, mas sim os que têm mais paciência e disposição para aprender.
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Guia para iniciantes em investimento em ações: compreenda este mercado do zero
Muitas pessoas sentem-se tanto curiosas quanto céticas em relação ao investimento em ações. Alguns veem-no como uma forma de especulação ou jogo de azar, enquanto outros o consideram um meio racional de alocação de ativos. Ambas as opiniões não são completamente precisas. Para realmente obter lucros com o investimento em ações, primeiro é preciso abandonar estereótipos e construir uma estrutura de compreensão correta.
Qual é a essência do investimento em ações
Para entender o investimento em ações, primeiro é necessário esclarecer a definição de ações.
Ações são certificados de participação na propriedade de uma empresa. Quando uma empresa precisa de financiamento, ela divide seu capital em várias partes e as vende, sendo que cada certificado corresponde a uma ação. Possuir ações significa que você se torna um acionista da empresa, tendo uma proporção correspondente de propriedade.
Essa propriedade se manifesta em dois aspectos: direito de voto e direito a dividendos. Tomemos como exemplo uma empresa listada: se você possui 2% das ações, do ponto de vista legal, você detém 2% do patrimônio da empresa e tem 2% do direito de voto. Mesmo que sua participação seja mínima (por exemplo, 0,01%), esse direito existe de fato.
No entanto, é importante notar que as ações não têm valor de uso real. Elas representam uma opção sobre os lucros futuros da empresa. Quando a empresa opera bem e seus lucros crescem, o valor das ações aumenta; caso contrário, diminui.
Os lucros do investimento em ações vêm de duas fontes: uma é o pagamento de dividendos pela empresa, e a outra é a diferença de preço na compra e venda, ou seja, a valorização do ativo.
Os dividendos realmente podem fazer o investidor lucrar?
Muitos iniciantes têm a fantasia de que quanto mais dividendos, melhor. Mas a realidade não é assim.
Por exemplo: uma empresa com valor de mercado de 10 bilhões de euros, emitindo 10 bilhões de ações, a 1 euro cada. Este ano, ela lucrou 2 bilhões de euros, e seu valor de mercado sobe para 12 bilhões, com o preço por ação passando para 1,2 euros.
Se a empresa decidir distribuir esses 2 bilhões de euros de lucro como dividendos, pagando 0,2 euros por ação, o valor de mercado volta a 10 bilhões, e o preço por ação cai para 1 euro. Do ponto de vista da conta, o valor que você tinha na sua carteira aumentou, mas apenas mudou de forma — de ações para dinheiro. Basicamente, se a empresa distribui ou não dividendos, o impacto no retorno do investimento é pequeno.
O que realmente faz o investidor lucrar é o crescimento do valor das ações refletido nos resultados de longo prazo da gestão da empresa.
O que realmente determina o preço das ações
Muitas pessoas dizem: “Se a empresa lucra, o preço sobe; se há escândalos, o preço cai”, mas essa é uma compreensão parcial.
O preço das ações é determinado pela lei da oferta e da procura, que é a regra mais fundamental do mercado.
Quando o preço de uma ação mostra 10 euros, esse é o último preço de negociação. O book de ordens na plataforma de negociação mostra as ofertas de compra e venda em diferentes níveis de preço. Se alguém compra uma grande quantidade a 10,5 euros, o preço será empurrado para cima até esse valor. E vice-versa.
Porém, a oferta e a procura por si só são influenciadas por muitos fatores:
Por exemplo, uma empresa com bom desempenho deveria subir, mas se um grande acionista precisa de dinheiro rapidamente e vende uma grande quantidade de ações, o preço pode cair. Isso é um exemplo de desalinhamento entre expectativa e realidade.
Portanto, o que realmente movimenta o preço das ações é a expectativa coletiva dos participantes do mercado, que se reflete na oferta e na procura por meio das negociações.
Diferentes tipos de ações e mercados de negociação
Investir em ações não se limita a uma única abordagem.
Classificando por tipo de ação:
Classificando por mercado:
Regras de negociação que o iniciante deve entender
Antes de entrar no investimento em ações, é importante conhecer as regras básicas de negociação.
As regras variam bastante entre os mercados. Alguns adotam o sistema T+2 (compra hoje, venda só após dois dias úteis), outros o T+0 (compra e venda no mesmo dia). Algumas bolsas limitam a variação de preço (por exemplo, 10%), enquanto outras não têm limite. Os horários de negociação, o lote mínimo, os custos de transação, tudo pode ser diferente.
Antes de investir, o investidor deve entender esses detalhes, para evitar prejuízos.
Três estratégias diferentes de investimento em ações
Cada investidor deve escolher uma estratégia adequada ao seu perfil e ao seu entendimento do mercado.
Estratégia 1: Investimento em valor de longo prazo
É a abordagem mais segura. O investidor estuda profundamente os dados financeiros, a competitividade e a posição no setor da empresa, escolhendo aquelas com forte capacidade de lucro a longo prazo e potencial de crescimento, comprando e mantendo por um período prolongado.
Essa estratégia exige capital suficiente e paciência. Mas, a longo prazo, se a escolha for acertada, os retornos podem ser expressivos. Afinal, o lucro da empresa tende a elevar seu valor de mercado, e esse crescimento se reflete diretamente no preço das ações.
Estratégia 2: Trading de curto prazo (swing trading)
Consiste em buscar oportunidades de compra e venda em diferentes fases do movimento do preço. Compra-se em momentos de baixa e vende-se em momentos de alta, buscando lucrar com as oscilações de curto prazo.
Requer uma análise de tendência forte. O mercado sempre sobe e desce, o segredo é acompanhar o ritmo e seguir a tendência. Normalmente, opera-se em ações em tendência de alta, evitando comprar ações que já tiveram altas expressivas.
Estratégia 3: Trading com alavancagem
Para investidores com capital limitado que desejam acelerar seus ganhos, investir com alavancagem pode ser uma opção. Como alternativa ao investimento de longo prazo, pode-se usar derivativos como contratos por diferença (CFDs).
A alavancagem permite controlar posições maiores com pouco capital. Ferramentas como CFDs oferecem maior flexibilidade — podem ser usadas para posições longas ou curtas, com operações T+0 (múltiplas entradas e saídas no mesmo dia), e cobrem diversos ativos (índices, commodities, criptoativos, etc.).
Porém, a alavancagem é uma espada de dois gumes: aumenta ganhos, mas também aumenta perdas. Se a previsão estiver errada, a perda pode ser rápida. Iniciantes devem usar com muita cautela.
Como o iniciante deve começar a investir em ações
Se você decidiu ingressar no mercado de ações, aqui estão os passos essenciais:
Primeiro passo: aprender o básico
Conhecimentos financeiros, psicologia do trading, análise de mercado — tudo isso precisa ser estudado. Mas é importante destacar que — não se deve confiar cegamente na análise técnica. Muitos livros populares de análise técnica simplificam demais as coisas. O valor real da análise técnica está na prática e na experiência, não na aplicação mecânica de métodos de terceiros.
A razão é simples: se o mercado fosse um jogo de soma zero (o valor de mercado não muda no curto prazo) e todos usassem a mesma análise técnica, quem pagaria pelos lucros de você?
Segundo passo: praticar em conta demo
Não invista dinheiro real de imediato. Use plataformas de simulação para se familiarizar com a interface, entender as oscilações de preço e testar sua psicologia de trading. Essa é a forma mais rápida de aprender.
Terceiro passo: começar com pequenos valores
Quando estiver preparado, comece a operar com valores pequenos. Cada operação real ensinará algo que o estudo não consegue transmitir.
Quarto passo: fazer análises e ajustes contínuos
Mantenha um registro de cada operação, analise os acertos e erros. Investir em ações é como jogar cartas: seus adversários são instituições com grandes recursos e traders experientes. Só aprendendo e evoluindo constantemente você sobreviverá nesse mercado.
Resumo das principais percepções
Sobre o investimento em ações, o iniciante deve lembrar-se destas pontos:
O mundo do investimento em ações é cheio de oportunidades, mas também de armadilhas. No final, quem realmente lucra não são aqueles que assumem os maiores riscos, mas sim os que têm mais paciência e disposição para aprender.