O mercado de café enfrentou uma pressão de venda significativa no final de janeiro de 2026, impulsionada em grande parte pelas expectativas de precipitação substancial na principal região produtora de café do Brasil. Os contratos futuros de arábica de março caíram acentuadamente, atingindo o seu ponto mais baixo em 5,5 meses, enquanto as variedades de robusta recuaram para mínimos de 3,5 semanas. As chuvas previstas em Minas Gerais desencadearam uma cascata de sentimento bearish que eclipsou os níveis de suporte técnico da commodity, à medida que os traders reavaliaram o risco em torno da maior base de fornecimento de arábica do mundo.
A Previsão de Chuva no Brasil Redefine as Expectativas de Oferta
O principal obstáculo veio das previsões meteorológicas que previam chuvas constantes em Minas Gerais durante a semana seguinte. Este padrão climático alterou fundamentalmente a perspectiva de oferta para os mercados globais de café. No início de dezembro de 2025, a Conab—agência oficial de previsão de safra do Brasil—já tinha elevado sua estimativa de produção de 2025 em 2,4%, projetando uma produção total de 56,54 milhões de sacos, contra os 55,20 milhões de sacos previstos em setembro. A adição das chuvas antecipadas a esse quadro de oferta abundante criou uma convergência bearish: produção suficiente mais condições de cultivo favoráveis sugeriam uma pressão contínua sobre os preços devido à dinâmica de excesso de oferta.
O padrão de precipitação em Minas Gerais tinha ficado abaixo das normas históricas no início de janeiro, com apenas 33,9 mm registrados na semana encerrada em 16 de janeiro—apenas 53% da média típica. No entanto, os meteorologistas sinalizaram que esse déficit seria corrigido pelas chuvas constantes previstas, potencialmente criando condições ideais de cultivo que poderiam reforçar ainda mais as expectativas de rendimento.
O Aumento da Produção no Vietname Agrava a Fraqueza do Robusta
Além do Brasil, os preços do robusta enfrentaram pressão adicional devido ao acelerado volume de exportações do Vietname. O Escritório Nacional de Estatísticas do Vietname informou no início de janeiro de 2026 que as exportações de café aumentaram 17,5% em relação ao ano anterior, atingindo 1,58 milhões de toneladas métricas. Mais significativamente, as projeções de produção para a safra de 2025/26 do Vietname chegaram a 1,76 milhões de toneladas métricas—29,4 milhões de sacos—marcando um recorde de 4 anos e representando um aumento de 6% em relação ao ano anterior.
A Associação de Café e Cacau do Vietname reforçou esses sinais de oferta bullish no final de outubro de 2025, indicando que a produção poderia subir 10% acima da temporada anterior se o clima permanecesse favorável. Como maior produtor mundial de robusta, o excedente de produção do Vietname impactou diretamente os contratos futuros de robusta, criando uma dinâmica paralela à pressão de arábica emergente do Brasil.
Desafios na Recuperação de Inventários Apoiam os Níveis de Suporte de Preços
Enquanto os indicadores fundamentais de oferta se tornaram bearish, a dinâmica de armazenamento acrescentou uma camada adicional de pressão descendente. Os estoques de arábica monitorados pelo ICE recuperaram-se de seu mínimo de 1,75 anos, de 398.645 sacos registrados em 20 de novembro, para 461.829 sacos até meados de janeiro—um máximo de 2,5 meses. De forma semelhante, os estoques de robusta saltaram de seu mínimo de 1 ano, de 4.012 lotes em 10 de dezembro, para 4.609 lotes no final de janeiro. Essa acumulação de inventário indicou que a oferta não só era abundante nas previsões de produção, mas também estava ativamente fluindo para as instalações de armazenamento, minando o caso bullish para a valorização dos preços.
Sinais Mistos de Fluxos de Exportação e Produção Global
Um contrapeso modesto surgiu dos dados de exportação de dezembro do Brasil, onde as remessas totais de café verde caíram 18,4%, para 2,86 milhões de sacos. Dentro dessa queda, as exportações de arábica contraíram 10% em relação ao ano anterior, para 2,6 milhões de sacos, enquanto as de robusta caíram 61%. Isso representou um possível aperto na oferta disponível para os mercados de exportação, embora o impacto parecesse insuficiente para compensar as tendências mais amplas de produção e inventário.
Globalmente, a Organização Internacional do Café informou em novembro de 2025 que as exportações do ano atual caíram apenas 0,3% em relação ao ano anterior, para 138,658 milhões de sacos—praticamente estáveis, apesar da volatilidade regional. Olhando para o futuro, o Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA projetou uma produção mundial em 2025/26 de um recorde de 178,848 milhões de sacos, com o arábica caindo 4,7%, para 95,515 milhões de sacos, enquanto o robusta aumentou 10,9%, para 83,333 milhões de sacos. Essas previsões reforçaram o excesso estrutural de oferta nos mercados globais, especialmente no robusta, onde a expansão da produção em várias origens sobrecarregou os padrões tradicionais de demanda.
Trajetória do Mercado: Quando a Abundância Encontra o Clima
A convergência das chuvas previstas no Brasil com a produção global abundante preparou o terreno para uma continuidade na tendência de queda dos preços. Os estoques finais para 2025/26 estavam projetados para cair 5,4%, para 20,148 milhões de sacos, de 21,307 milhões de sacos em 2024/25—uma redução modesta que deixou buffers amplos contra interrupções na oferta. A menos que eventos climáticos inesperados interrompam as colheitas em regiões produtoras importantes, ou a demanda acelere de forma significativa, o cenário fundamental para o café permanecia inclinado para a fraqueza. A sensibilidade do mercado às chuvas no Brasil refletia não apenas o risco climático, mas também a tênue margem entre oferta e demanda em um mundo transbordando de café.
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Chuva prevista no Brasil intensifica os obstáculos no mercado de café
O mercado de café enfrentou uma pressão de venda significativa no final de janeiro de 2026, impulsionada em grande parte pelas expectativas de precipitação substancial na principal região produtora de café do Brasil. Os contratos futuros de arábica de março caíram acentuadamente, atingindo o seu ponto mais baixo em 5,5 meses, enquanto as variedades de robusta recuaram para mínimos de 3,5 semanas. As chuvas previstas em Minas Gerais desencadearam uma cascata de sentimento bearish que eclipsou os níveis de suporte técnico da commodity, à medida que os traders reavaliaram o risco em torno da maior base de fornecimento de arábica do mundo.
A Previsão de Chuva no Brasil Redefine as Expectativas de Oferta
O principal obstáculo veio das previsões meteorológicas que previam chuvas constantes em Minas Gerais durante a semana seguinte. Este padrão climático alterou fundamentalmente a perspectiva de oferta para os mercados globais de café. No início de dezembro de 2025, a Conab—agência oficial de previsão de safra do Brasil—já tinha elevado sua estimativa de produção de 2025 em 2,4%, projetando uma produção total de 56,54 milhões de sacos, contra os 55,20 milhões de sacos previstos em setembro. A adição das chuvas antecipadas a esse quadro de oferta abundante criou uma convergência bearish: produção suficiente mais condições de cultivo favoráveis sugeriam uma pressão contínua sobre os preços devido à dinâmica de excesso de oferta.
O padrão de precipitação em Minas Gerais tinha ficado abaixo das normas históricas no início de janeiro, com apenas 33,9 mm registrados na semana encerrada em 16 de janeiro—apenas 53% da média típica. No entanto, os meteorologistas sinalizaram que esse déficit seria corrigido pelas chuvas constantes previstas, potencialmente criando condições ideais de cultivo que poderiam reforçar ainda mais as expectativas de rendimento.
O Aumento da Produção no Vietname Agrava a Fraqueza do Robusta
Além do Brasil, os preços do robusta enfrentaram pressão adicional devido ao acelerado volume de exportações do Vietname. O Escritório Nacional de Estatísticas do Vietname informou no início de janeiro de 2026 que as exportações de café aumentaram 17,5% em relação ao ano anterior, atingindo 1,58 milhões de toneladas métricas. Mais significativamente, as projeções de produção para a safra de 2025/26 do Vietname chegaram a 1,76 milhões de toneladas métricas—29,4 milhões de sacos—marcando um recorde de 4 anos e representando um aumento de 6% em relação ao ano anterior.
A Associação de Café e Cacau do Vietname reforçou esses sinais de oferta bullish no final de outubro de 2025, indicando que a produção poderia subir 10% acima da temporada anterior se o clima permanecesse favorável. Como maior produtor mundial de robusta, o excedente de produção do Vietname impactou diretamente os contratos futuros de robusta, criando uma dinâmica paralela à pressão de arábica emergente do Brasil.
Desafios na Recuperação de Inventários Apoiam os Níveis de Suporte de Preços
Enquanto os indicadores fundamentais de oferta se tornaram bearish, a dinâmica de armazenamento acrescentou uma camada adicional de pressão descendente. Os estoques de arábica monitorados pelo ICE recuperaram-se de seu mínimo de 1,75 anos, de 398.645 sacos registrados em 20 de novembro, para 461.829 sacos até meados de janeiro—um máximo de 2,5 meses. De forma semelhante, os estoques de robusta saltaram de seu mínimo de 1 ano, de 4.012 lotes em 10 de dezembro, para 4.609 lotes no final de janeiro. Essa acumulação de inventário indicou que a oferta não só era abundante nas previsões de produção, mas também estava ativamente fluindo para as instalações de armazenamento, minando o caso bullish para a valorização dos preços.
Sinais Mistos de Fluxos de Exportação e Produção Global
Um contrapeso modesto surgiu dos dados de exportação de dezembro do Brasil, onde as remessas totais de café verde caíram 18,4%, para 2,86 milhões de sacos. Dentro dessa queda, as exportações de arábica contraíram 10% em relação ao ano anterior, para 2,6 milhões de sacos, enquanto as de robusta caíram 61%. Isso representou um possível aperto na oferta disponível para os mercados de exportação, embora o impacto parecesse insuficiente para compensar as tendências mais amplas de produção e inventário.
Globalmente, a Organização Internacional do Café informou em novembro de 2025 que as exportações do ano atual caíram apenas 0,3% em relação ao ano anterior, para 138,658 milhões de sacos—praticamente estáveis, apesar da volatilidade regional. Olhando para o futuro, o Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA projetou uma produção mundial em 2025/26 de um recorde de 178,848 milhões de sacos, com o arábica caindo 4,7%, para 95,515 milhões de sacos, enquanto o robusta aumentou 10,9%, para 83,333 milhões de sacos. Essas previsões reforçaram o excesso estrutural de oferta nos mercados globais, especialmente no robusta, onde a expansão da produção em várias origens sobrecarregou os padrões tradicionais de demanda.
Trajetória do Mercado: Quando a Abundância Encontra o Clima
A convergência das chuvas previstas no Brasil com a produção global abundante preparou o terreno para uma continuidade na tendência de queda dos preços. Os estoques finais para 2025/26 estavam projetados para cair 5,4%, para 20,148 milhões de sacos, de 21,307 milhões de sacos em 2024/25—uma redução modesta que deixou buffers amplos contra interrupções na oferta. A menos que eventos climáticos inesperados interrompam as colheitas em regiões produtoras importantes, ou a demanda acelere de forma significativa, o cenário fundamental para o café permanecia inclinado para a fraqueza. A sensibilidade do mercado às chuvas no Brasil refletia não apenas o risco climático, mas também a tênue margem entre oferta e demanda em um mundo transbordando de café.