Quando a Família de Leonie Schroder se afasta: O fim do legado de 222 anos da Schroders em Londres

Durante mais de dois séculos, a família Schroder esteve no coração do distrito financeiro de Londres, construindo um dos impérios de gestão de ativos mais respeitados do mundo. Agora, com Leonie Schroder no centro desta transição histórica, essa era está chegando ao fim. A decisão da família de sair da Schroders marca o encerramento de um capítulo extraordinário nas finanças britânicas — e sinaliza um padrão preocupante para o status de Londres como centro financeiro global.

A Transação de 10 Mil Milhões de Libras que Reconfigurou Tudo

O anúncio foi um choque para o mundo financeiro. Depois de insistir durante meses que a Schroders não estava à venda, a empresa revelou repentinamente que havia concordado com uma aquisição pelo colosso de investimentos americano Nuveen, num negócio avaliado em 10 bilhões de libras. A participação de 44% da família Schroder — detida por cerca de doze membros familiares — renderá aproximadamente 4,3 bilhões de libras, encerrando efetivamente sua participação ativa na firma.

Richard Oldfield, que assumiu como CEO em novembro de 2024, havia anteriormente descartado com confiança as especulações de saída. Ele falou do forte compromisso da família com o negócio e delineou uma estratégia ambiciosa de transformação para competir numa indústria cada vez mais consolidada. No entanto, semanas após essas garantias, as negociações — codinominadas “Projeto Panteão” internamente, com as partes usando os apelidos brincalhões “Afrodite” e “Zeus” — avançaram até a conclusão. O banco de investimento Lazard guiou o Grupo de Acionistas Principais durante o processo. O consenso entre os membros seniores da família só se consolidou nos últimos meses, sugerindo que essa não foi uma decisão fácil para uma dinastia construída sobre continuidade institucional.

De 222 Anos a uma Nova Propriedade: Por que a Schroders Não Poderia Seguir Sozinha

A família Schroder não entregou seu império empresarial facilmente. Afinal, trata-se de uma família cuja importância histórica rivaliza com a dos Rothschilds e Warburgs nas finanças britânicas. Mas o caminho para essa venda começou há mais de duas décadas.

Em 2000, a família fez sua primeira grande retirada estratégica, vendendo a divisão de banca mercante da Schroders ao Citigroup por 1,35 bilhões de libras. Essa transação marcou uma mudança importante: a Schroders reconheceu que não podia mais competir sozinha contra o poder concentrado das instituições financeiras americanas. Após essa desinvestimento, o envolvimento direto da família foi diminuindo gradualmente. Philip Mallinckrodt, o último executivo familiar a ocupar uma cadeira no conselho, saiu em 2020. Hoje, Leonie Schroder e Claire Fitzalan Howard permanecem no conselho em funções de consultoria, mas sua participação na gestão diária é mínima.

A transação de 2025 representa o ponto lógico de uma retirada de controle operacional que durou décadas. À medida que a gestão de ativos se consolida globalmente, a escala tornou-se não um luxo, mas uma necessidade. O apetite da Nuveen pela Schroders não foi motivado por intenção hostil — foi impulsionado por complementaridade estratégica. A entidade combinada gerenciará 2,5 trilhões de dólares em ativos, posicionando-se para competir com verdadeiros titãs do setor, como o Capital Group, que administra cerca de 3 trilhões. Para Oldfield e a liderança da Schroders, a parceria com a Nuveen ofereceu aceleração. “Não precisávamos fazer isso”, explicou Oldfield. “Mas, ao conhecer a Nuveen, ficou claro que essa parceria poderia acelerar nosso progresso em uma década.”

A Oportunidade nos Mercados Privados e a Necessidade Estratégica

Um fator crítico inclinou a balança para a aceitação: os mercados privados. A Schroders historicamente tinha uma exposição reduzida nesse segmento — uma lacuna cada vez mais problemática, à medida que investidores institucionais buscam ativos com taxas mais altas e horizontes de compromisso mais longos. A Nuveen traz uma expertise formidável aqui, com uma operação de mercados privados gerenciando mais de 414 bilhões de dólares. Para a Schroders, acessar essa capacidade sem construí-la organicamente era estrategicamente irresistível.

Sob a liderança de Oldfield no último ano, a Schroders já se tornou uma operação mais enxuta e focada. A empresa encerrou sua joint venture com o Lloyds Bank, saiu de mercados emergentes como Brasil e Indonésia, e afinou seu posicionamento central. Apesar dessas mudanças, o preço das ações subiu 28% — mas os obstáculos fundamentais persistiram. O desafio estrutural era claro: escala ou ser adquirida. A Schroders escolheu a segunda opção, optando pela parceria em vez da independência.

Um Padrão na Finança Britânica: A Onda de Aquisições Americanas

O que aconteceu com a Schroders está longe de ser um caso isolado. A indústria de gestão de investimentos do Reino Unido enfrenta um desafio estrutural doloroso: saídas persistentes de fundos de ações britânicos, a atração gravitacional dos mercados e ações americanas, e o crescimento inexorável do investimento passivo via fundos de índice de baixo custo e ETFs. Essas tendências deprimiram as avaliações, tornando os gestores de ativos britânicos alvos atraentes.

A Schroders se junta a uma fuga acelerada de grandes empresas britânicas adquiridas por compradores americanos. Darktrace, especialista em cibersegurança, e Dowlais, empresa de manufatura avançada, seguiram caminhos semelhantes. Ainda mais preocupante, a arbitragem regulatória e os fluxos de capital favorecem listagens e consolidações americanas. Segundo analistas da Shore Capital, a combinação de avaliações britânicas deprimidas e o apetite de compradores americanos criou o que muitos descrevem como uma onda inevitável de consolidação.

Richard Buxton, que passou mais de uma década na Schroders, observou as reações ambivalentes entre ex-colegas. “A família não desempenhava mais um papel na gestão”, comentou. “Esse desfecho parecia quase certo.” O que tornou isso inevitável não foi uma fraqueza familiar, mas forças de mercado estruturais — e a ausência de uma alternativa viável além de permanecer independente.

A Marca Schroders Continua Viva, Mas Sob Nova Propriedade

Um aspecto positivo: a Schroders manterá sua identidade de marca sob a propriedade da Nuveen. O escritório de Londres continuará sendo o maior em número de funcionários, e o CEO da Nuveen, William Huffman, destacou que a aquisição é “sobre expandir nossos negócios”, não sobre cortar custos por meio de demissões.

A Nuveen, que permanece de propriedade privada, comprometeu-se até mesmo a buscar uma listagem dupla na Bolsa de Londres, caso venha a abrir capital — embora essa promessa não garanta que Londres continuará sendo sua base principal. Ainda assim, a continuidade é real: a Schroders como entidade operacional, com sua presença em Londres, permanece.

Uma Pergunta Sobre o Futuro de Londres

Richard Oldfield já expressou preocupação com a redução dos mercados públicos de Londres e a importância das empresas listadas para manter transparência e responsabilidade. Mesmo com o fechamento deste negócio, ele insiste que isso não representa uma retirada de Londres ou do Reino Unido. “Continuamos comprometidos com Londres e com o apoio ao investimento em todo o Reino Unido”, afirmou.

Porém, o quadro mais amplo é difícil de negar. Quando empresas familiares lendárias como a Schroders — guardiãs das finanças britânicas por mais de dois séculos, com Leonie Schroder e seus familiares à frente — optam por aceitar uma aquisição em vez de continuar independentes, levanta uma questão desconfortável sobre a competitividade de Londres. A saída da família Schroder, após 222 anos, não marca apenas o fim de uma era empresarial, mas um capítulo maior na história da evolução do poder financeiro britânico na era da consolidação americana.

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