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Na minha antiga escritório, havia uma regra que ninguém conseguia explicar.
Nunca pressionasses o botão do elevador duas vezes.
Apenas uma vez.
Se o pressionasses duas vezes, a recepcionista te dizia com calma: "Não faças isso".
Ninguém sabia porquê.
Como era de esperar, no terceiro dia pressionei-o duas vezes.
Nada aconteceu.
Chegou o elevador, entrei, subi ao sétimo andar e fiz o meu trabalho. Um dia normal.
Mas quando desci para almoçar, a recepcionista deteve-me.
Pressionaste o botão do elevador duas vezes esta manhã?
Ri-me. "Sim. Porquê?"
Olhou-me fixamente durante um momento e depois pegou no telefone.
¿Manutenção? Voltou a acontecer.
Pensei que estava a brincar.
Dois homens da equipa de manutenção do edifício chegaram em questão de minutos.
Um deles perguntou: "Em que andar?"
—O átrio —disse ela.
O homem suspirou, como alguém que já o tinha feito demasiadas vezes.
Depois olhou para mim.
"Da próxima vez", disse, "apenas pressiona uma vez".
Acenei com a cabeça, confuso.
Abriram o painel de controlo do elevador e começaram a verificar a cablagem.
Não dei importância.
Na manhã seguinte, entrei no átrio.
A recepcionista pareceu aliviada ao ver-me.
—Bem —disse em voz baixa.
"¿Bem o quê?"
"Regressaste."
Ri-me. "Claro que sim. Trabalho aqui."
Ela não riu.
Em vez disso, ela perguntou:
"Ontem não apanhaste o elevador novamente, pois não?"
"Sim, por volta das 6 da tarde"
O seu rosto empalideceu.
"Não devias tê-lo feito."
Senti um nó no estômago.
"Porquê?"
Ela não respondeu.
Apenas apontou para o elevador.
"Olha."
Junto ao botão de chamada havia uma pequena placa de latão que, por qualquer razão, nunca tinha notado.
Dizia:
"Instalado: 1998"
Abaixo havia uma segunda linha gravada no metal.
"Avarias reportadas do botão: 17 vezes."
Abaixo havia nomes.
Dezassete nomes.
Reconheci um imediatamente.
O tipo cujo escritório tinha ocupado quando me incorporei na empresa.
Olhei novamente para a recepcionista.
"Isso é estranho."
Ela acenou lentamente com a cabeça.
"Cada vez que alguém pressiona o botão duas vezes, o elevador para primeiro no sétimo andar."
"Esse é o meu andar."
"Eu sei."
Um arrepio percorreu-me o corpo.
"E qual é o problema?"
Ela hesitou.
Depois disse em voz baixa:
"O problema é que… o elevador não chega até ao sétimo andar."