Escassez global de café: Falta de chuva no Brasil faz os preços subirem

Os futuros de café estão a experimentar uma subida significativa à medida que as preocupações crescentes com o oferta se propagam por regiões produtoras-chave. Os contratos de arábica de março subiram +1,05% para atingir máximos de 1,5 semanas, enquanto os futuros de robusta de março avançaram +0,44%, sinalizando uma maior convicção do mercado em relação ao esgotamento da disponibilidade.

O Fator Clima: Crise de Chuva no Brasil

A história fundamental que impulsiona estes movimentos de preço centra-se na precipitação inadequada nas zonas de cultivo críticas do Brasil. Segundo a Somar Meteorologia, Minas Gerais—o maior produtor de arábica do Brasil—registou apenas 11,1 mm de chuva durante a semana que terminou em 26 de dezembro, representando apenas 17% da linha de base histórica. Este défice criou preocupações genuínas sobre a viabilidade da colheita para a nova temporada.

A trajetória da produção de café do Brasil apresenta-se como um quadro misto. Enquanto a Conab, o órgão de previsão de colheitas do país, recentemente aumentou a sua estimativa de produção para 2025 em 2,4%, para 56,54 milhões de sacos, o Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA projeta uma queda de -3,1% ano-a-ano, para 63 milhões de sacos em 2025/26. Estes sinais conflitantes refletem a incerteza subjacente sobre os impactos do clima nos rendimentos.

Disrupção Simultânea no Sudeste Asiático

O clima não é a única perturbação de oferta a pressionar os mercados. A Indonésia enfrenta uma crise severa: inundações generalizadas danificaram aproximadamente um terço das fazendas de arábica no norte de Sumatra, com potencial para reduzir as exportações de café do país em até 15% durante a temporada de 2025-26. As colheitas de robusta permanecem relativamente menos afetadas, embora a Indonésia seja o terceiro maior produtor mundial de robusta, tornando qualquer dano parcial significativo.

O Vietname, o principal produtor mundial de robusta, apresenta um quadro de oferta contrastante. As exportações de café do país em novembro aumentaram +39% ano-a-ano, para 88.000 MT, enquanto as remessas de janeiro a novembro subiram +14,8% y/y, para 1,398 MMT. As previsões de produção sugerem que a produção de 2025/26 no Vietname atingirá 1,76 MMT (29,4 milhões de sacos)—um pico de 4 anos—com um ganho de +6% ano-a-ano, se o clima permanecer favorável.

Sinais de Inventário e Mecânica de Preços

Os níveis de inventário acompanhados pelo ICE continuam a sustentar os preços, embora as tendências recentes mostrem volatilidade. Os inventários de arábica atingiram uma baixa de 1,75 anos de 398.645 sacos em 20 de novembro, embora tenham recuperado para 456.477 sacos na quarta-feira passada. As reservas de robusta também atingiram um mínimo de 1 ano de 4.012 lotes no início de dezembro, antes de se recuperarem para 4.278 lotes.

Os padrões de compra nos EUA destacam como a dinâmica do mercado muda rapidamente. Os compradores americanos reduziram drasticamente as compras de café brasileiro durante o período de tarifas de Trump—de agosto a outubro, as importações dos EUA caíram 52% y/y, para 983.970 sacos. Apesar da redução das tarifas posteriormente, os inventários de café nos EUA permanecem limitados, criando uma pressão estrutural de demanda.

Perspectiva Global de Oferta

Olhando para o futuro, o USDA projeta que a produção mundial de café em 2025/26 aumentará +2,0%, para um recorde de 178,848 milhões de sacos. No entanto, isso oculta mudanças significativas na composição: a produção de arábica deve cair -4,7%, para 95,515 milhões de sacos, enquanto a robusta sobe +10,9%, para 83,333 milhões de sacos. Ainda mais importante, as reservas finais globais estão previstas para cair -5,4%, para 20,148 milhões de sacos, de 21,307 milhões de sacos no ano anterior.

A Organização Internacional do Café relatou que as exportações globais de café para o ano de comercialização atual caíram -0,3% y/y, para 138,658 milhões de sacos—um sinal de que a escassez de oferta persiste, apesar das previsões de aumento de produção. Estes dados conflitantes explicam por que as cotações de futuros de arábica e robusta permanecem vulneráveis a mudanças de direção, equilibrando entre preocupações estruturais de oferta e projeções de produção abundantes.

O mercado permanece dividido entre duas narrativas concorrentes: perturbações de curto prazo impulsionadas pelo clima apoiando os preços, e uma previsão de abundância criando obstáculos de médio prazo. Para os traders que monitoram derivados de café, esta tensão torna a volatilidade de preços a característica definidora do ciclo atual.

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