A Missão Épica de Gouspillou: Construindo Operações de Mineração de Bitcoin na Fronteira Ainda por Explorar de África

Quando Sébastien Gouspillou reflete sobre oito anos de busca por operações de mineração pelo mundo, suas histórias parecem quase demasiado extraordinárias para acreditar. No entanto, cada relato—marcado por decisões audaciosas, fugas estreitas do crime organizado e uma convicção inabalável no potencial do Bitcoin—carrega o peso de uma experiência vivida. O empresário francês de 55 anos fala com uma mistura de admiração e solenidade, irradiando entusiasmo ao relembrar triunfos, mas ficando mais sério quando vidas foram perdidas por violência ou desastre. Nos últimos oito anos, Gouspillou percorreu continentes em busca de eletricidade acessível para operações de mineração de Bitcoin, testemunhando o melhor e o pior da humanidade. Hoje, é mais conhecido por cofundar a BigBlock Datacenter e estabelecer instalações de mineração de Bitcoin no Parque Nacional de Virunga, na República Democrática do Congo—operações que geram receita tanto para a conservação quanto para o desenvolvimento da comunidade local. Para Gouspillou, a mineração de Bitcoin tornou-se inseparável de soluções para a crise de eletricidade na África e do fortalecimento de regiões remotas.

O Homem que se Aventurejou no Bitcoin: O Caminho Incomum de Gouspillou para a Cripto

Antes de abraçar o Bitcoin, Sébastien Gouspillou tinha uma vida profissional pouco notável. Seu currículo parece um patchwork de funções corporativas: desenvolvimento imobiliário, operações florestais na Ásia e até importação de máquinas de limpeza a seco para grandes empresas como a Euro Disney. “Não sou cientista nem engenheiro”, admite Gouspillou prontamente. “Sou um empresário treinado em marketing e vendas. O Bitcoin foi realmente difícil de entender para mim no início”, explicou numa entrevista. Sua introdução à criptomoeda aconteceu em 2010, quando seu amigo de infância Jean-François Augusti começou a minerar Bitcoin. Gouspillou descartou o esforço na época, convencido de que Augusti estava desperdiçando recursos. Passaram-se cinco anos até que a curiosidade superasse o ceticismo. Em 2015, Gouspillou passou meses estudando a tecnologia. No final do ano, abordou Augusti com uma perspectiva transformada, propondo que lançassem uma operação de mineração juntos.

Os dois começaram modestamente, montando operações básicas num espaço industrial pequeno que alugaram. Em meados de 2017, mudaram-se para uma antiga fábrica de telecomunicações da Alcatel em Orvault, uma cidade perto de Nantes, cidade natal de Gouspillou, e estabeleceram formalmente a BigBlock Datacenter, além de conseguir financiamento de investidores externos.

A Fase Difícil de Startup: Testando a Determinação de Gouspillou

As primeiras instalações da BigBlock Datacenter operaram em dois locais escolhidos por um motivo: eletricidade extremamente barata. A fábrica de Orvault serviu como sede, enquanto uma segunda operação surgiu em Odessa, na Ucrânia. Lá, Gouspillou e Augusti mantinham um contêiner equipado com 200 mineradores ASIC S9, cuidando de toda manutenção eles mesmos. “Em comparação com a escala de hoje, era minúsculo”, refletiu Gouspillou. “Mas naquele momento, parecia monumental porque operávamos sozinhos.”

Mas competência técnica sozinha não era suficiente. Operar na Ucrânia durante meados dos anos 2010 carregava um enorme estigma na Europa e no setor bancário. “As pessoas do mundo financeiro diziam: ‘Estás louco? É um estado terrorista—só corrupção da máfia’”, recordou Gouspillou. Seus medos não eram infundados. Quando oficiais do Serviço Secreto ucraniano chegaram às suas instalações, não apenas inspecionaram as operações—eles apreenderam tudo por três meses. Houve negociações. O preço para retomar as atividades: oito Bitcoins. Quando reiniciaram a mineração, enfrentaram uma reviravolta cruel: os custos de eletricidade dobraram de um dia para o outro, eliminando a lucratividade.

Em 2018, Gouspillou e Augusti mudaram-se para o Cazaquistão, tornando-se alguns dos primeiros mineradores estrangeiros a operar lá. Estabeleceram operações no mesmo lago onde Valery Vavilov, da Bitfury, já minerava. O otimismo mostrou-se prematuro. Sindicatos criminosos locais atacaram seus equipamentos, roubando mineradores e até sequestrando Gouspillou, exigindo que ele recomprasse suas próprias máquinas. “Perdemos um volume enorme de equipamentos”, disse Gouspillou com gravidade. “O estresse era enorme—perdi 20 quilos em um ano. Entre o roubo e a queda do Bitcoin em 2018, o impacto pessoal foi devastador.”

Sua esposa confrontou-o com uma desesperada franqueza: “Por que não volta ao trabalho normal? Essa sua obsessão por Bitcoin está nos destruindo.” Para um homem na faixa dos quarenta e poucos anos, com perdas financeiras crescentes, desistir parecia racional. Mas Gouspillou recusou. “Jean-François e eu permanecemos absolutamente convencidos de que o preço se recuperaria”, afirmou. A teimosia deles revelou-se premonitória.

O Ponto de Virada: Como Gouspillou Encontrou Propósito no Congo

Em 2019, a recuperação do Bitcoin aliviou o hemorrágio financeiro. Gouspillou e Augusti recuperaram perdas e compraram novos equipamentos ASIC quando os preços despencaram. O mercado altista de 2020 acelerou dramaticamente sua trajetória. Então veio 2020, quando a vida de Gouspillou cruzou-se com o príncipe Emmanuel de Merode, da Bélgica, um conservacionista e antropólogo dedicado a preservar o Parque Nacional de Virunga e estabelecer a paz na RDC.

O príncipe de Merode fez um convite audacioso: estabelecer uma fazenda de mineração de Bitcoin dentro do próprio parque. Para Gouspillou, isso representou uma metamorfose. “Antes de Virunga, estávamos apenas minerando criptomoedas”, explicou. “Com Virunga, passamos a minerar com um propósito social genuíno.” A parceria revelou-se transformadora para o perfil e a lucratividade da BigBlock Datacenter. Começaram as operações com dois contêineres contendo 700 mineradores S9 alimentados por energia hidrelétrica do rio Luviro, próximo de Ivingu.

A configuração refletia benefício mútuo: a BigBlock Datacenter gerenciava seus próprios contêineres e equipamentos de propriedade do parque, pagando as despesas de eletricidade de suas operações enquanto direcionava a receita gerada pelo parque de volta à conservação. O arranjo cresceu de forma dramática—de dois para dez contêineres, sendo sete de propriedade da BigBlock e três do parque. O aumento do emprego foi igualmente significativo. Em vez de cortar árvores para produzir carvão por uma renda ínfima, os moradores locais passaram a trabalhar como técnicos e equipe de suporte na instalação de mineração.

Quando o Triunfo Encontra a Tragédia: As Dificuldades Enfrentadas por Gouspillou

Porém, o progresso veio acompanhado de tragédia. Desde o início das operações em Virunga, Gouspillou perdeu membros da equipe tanto por violência quanto por desastres naturais. Um jovem técnico chamado Moise afogou-se em uma inundação catastrófica, quando a água desceu das montanhas. A enxurrada também danificou mineradores S19 recém-adquiridos e contêineres enterrados na terra, forçando reparos extensivos.

Seis semanas depois, a devastação voltou a acontecer. Membros da equipe que viajavam da fazenda enfrentaram uma escolha impossível: voar do aeródromo do parque, quando havia combustível, ou dirigir trinta quilômetros por uma perigosa floresta até um aeroporto remoto. Em uma viagem fatídica, membros do grupo rebelde Mai-Mai emboscaram o veículo, matando cinco pessoas—including Jones, um jovem gerente de fazenda que trabalhava com Gouspillou há quatro anos, e a esposa do cozinheiro. Jones tinha passado de posições iniciais para gerência, demonstrando capacidade excepcional.

A violência vai muito além desses incidentes. A força de patrulheiros do príncipe de Merode, que protege o parque, sofreu mais de trinta baixas—parte de um custo total que já ultrapassa 200 guardas mortos desde que ele assumiu a liderança. A região abriga cerca de 300 gangues armadas diferentes. “Quando começamos em 2020, Emmanuel nos garantiu que as condições tinham se estabilizado em relação aos anos anteriores”, observou Gouspillou tristemente. “Desde então, a insegurança piorou de forma constante.”

Mineração como Catalisador: Como as Operações de Gouspillou Estão Electrificando a África

Apesar dessas dificuldades, Gouspillou mantém um otimismo fundamentado em transformações concretas. Além do Congo, suas operações expandiram-se para o país vizinho, a República do Congo, onde a BigBlock Datacenter construiu uma grande instalação em Liouesso, uma cidade do norte com escassez industrial e infraestrutura elétrica limitada. Isso está começando a mudar.

“Quando você investe na receita do fornecedor de eletricidade, altera-se fundamentalmente a economia de uma região”, explicou Gouspillou. “Em Liouesso, a usina hidrelétrica de 20 megawatts fornecia apenas 2-3 megawatts à cidade. Estabelecemos uma operação de 12 megawatts, transformando o fluxo de caixa do fornecedor. De repente, ele tem capital para estender linhas até vilarejos antes sem energia.”

Esse fenômeno reflete o que ocorre no Quênia, Botsuana e Malawi, onde a empresa de mineração de Bitcoin Gridless opera de forma semelhante, comprando capacidade hidrelétrica excedente e possibilitando eletrificação rural. Em toda a África, barragens hidrelétricas frequentemente produzem mais eletricidade do que podem distribuir, devido à infraestrutura de transmissão insuficiente. “Uma grande barragem da EDF no Camarões produz 80% a mais de eletricidade do que consegue dispersar”, observou Gouspillou. “As usinas hidrelétricas são inerentemente superdimensionadas porque os custos de construção não aumentam linearmente—uma instalação de 200 megawatts não custa o dobro de uma de 100 megawatts.”

Gouspillou tornou-se conselheiro de outros que buscam estratégias semelhantes. Ele treinou Nemo Semret, o primeiro minerador de Bitcoin na Etiópia, há anos. Hoje, as operações de mineração patrocinadas pelo estado na Etiópia consomem 600 megawatts—com potencial de expansão ainda considerável.

Além do Lucro: O Investimento de Gouspillou nas Comunidades

A instalação de Liouesso emprega atualmente 15 técnicos em tempo integral, além de 10 funcionários de suporte—cozinheiros, lavandeiras, manutenção de áreas e motoristas. Operações de secagem de frutas e cacau, previstas para começar na segunda metade de 2025, deverão criar mais de 100 empregos adicionais. Mas, mais importante, Gouspillou e sua equipe investiram diretamente no desenvolvimento local.

Filhos de funcionários rurais no Congo, antes, caminhavam cinco quilômetros por dia para frequentar escolas regionais. Gouspillou inicialmente emprestou seu veículo pessoal; posteriormente, adquiriu um ônibus Toyota dedicado ao transporte escolar. A BigBlock Datacenter instalou eletricidade em salas de aula antes sem luz e financiou a pintura das escolas—“investimentos baratos com impacto transformador”, segundo Gouspillou.

Ele reconhece que outras empresas fazem investimentos semelhantes, muitas vezes como forma de mitigar poluição. “As companhias petrolíferas fazem isso por necessidade, compensando a destruição ambiental”, afirmou. “A BigBlock Datacenter opera de forma diferente—minamos usando energia renovável, sem poluição. Nossos investimentos vêm da convicção de fazer o que é certo.”

Esse compromisso filosófico se manifesta através de laços com membros da equipe como Patrick Tsongo e Ernest Kyeya, que Gouspillou descreve como “heróis genuínos de Virunga”. “Contratamos eles aos 23 anos”, contou. “Em três anos, Ernest virou gerente de fazenda, com Patrick como seu segundo. Eles dominaram o reparo de ASIC—crucial porque substituições sob garantia enfrentam riscos de roubo durante transporte. Agora, são os melhores técnicos de mineração do mundo.” Recentemente, esses dois viajaram para Pointe-Noire, principal porto da República do Congo, pela primeira vez, vendo o oceano pela primeira vez na vida.

Gouspillou recompensou os membros da equipe com bônus anuais em Bitcoin. Inicialmente, liquidavam esses bônus imediatamente. Recentemente, compraram terras com suas economias acumuladas em Bitcoin, tornando-se apaixonados defensores da criptomoeda. “Eles viram o Bitcoin valorizar em suas mãos”, observou Gouspillou. “Agora, estão profundamente comprometidos com ela.”

O Que Está Por Vir: A Visão Global de Gouspillou

No futuro, Gouspillou e a BigBlock Datacenter pretendem expandir-se globalmente. Operam projetos de mineração em cinco países africanos, além de instalações no Paraguai (onde a influência da máfia complica as operações), Finlândia, Omã e na Sibéria, de anos anteriores. “Pioneiramos a mineração de Bitcoin em Omã e convencemos o governo a apoiar o setor”, explicou Gouspillou. “Começamos com dois contêineres; hoje, outros operadores gerenciam fazendas com capacidade superior a 300 megawatts.”

A sede da empresa foi transferida para El Salvador há seis meses, incorporando-se como BigBlock El Salvador. Embora existam oportunidades de expansão em todo o mundo, Gouspillou prioriza o crescimento na África. “O que estamos construindo na República do Congo é o que mais me entusiasma”, afirmou. O fundador da empresa recentemente passou de reflexão para uma satisfação silenciosa. Quando perguntado sobre construir algo substancial após começar tão tarde na carreira, Gouspillou riu: “Talvez eu estivesse um pouco velho demais, mas construímos algo realmente sólido. Agora, é simplesmente um prazer.”

Esse prazer reflete mais do que sucesso financeiro—representa a evolução de Gouspillou de um marketeiro cético para um empreendedor com missão, aproveitando a infraestrutura da mineração de Bitcoin para resolver problemas reais nas regiões mais desafiadoras da África.

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