Se alguém cobrou incorretamente o seu cartão de crédito ou foi cobrado a mais numa compra recente, existe na verdade uma lei federal poderosa a seu favor. A Lei de Faturamento Justo de Crédito, aprovada já em 1974, foi criada especificamente para proteger consumidores como você de erros de faturação e cobranças fraudulentas. O que muitas pessoas não percebem é que esta lei faz muito mais do que apenas permitir contestar uma cobrança incorreta — dá-lhe o direito de reter temporariamente o pagamento de valores contestados sem prejudicar o seu score de crédito, e obriga o seu banco a investigar e corrigir erros, se existirem.
“Erros acontecem”, diz Matt Buckalew, advogado na Looney and Conrad, em Houston. O problema é que a maioria dos consumidores não aproveita totalmente estas proteções. “É realmente preciso revisar as suas faturas com muito cuidado”, enfatiza. Os riscos são reais: antes de esta lei existir, em 1974, consumidores que retinham o pagamento por cobranças incorretas podiam sofrer danos graves no crédito. Hoje, isso já não acontece — mas só se souber usar estes direitos corretamente.
A Base: O que a Lei de Faturamento Justo de Crédito realmente protege
A Lei de Faturamento Justo de Crédito cobre mais situações do que você imagina. Protege-o se for cobrado por engano, como quando há um erro de cálculo na sua fatura ou se for cobrado duas vezes pela mesma compra. Também se aplica se você não receber um item pelo qual pagou, se um comerciante enviar-lhe o produto errado, ou se uma empresa não fornecer o serviço prometido. Contudo — e isto é crucial — a lei NÃO protege se você estiver simplesmente insatisfeito com a qualidade do que comprou ou recebeu. “Isso é uma contestação à qualidade do serviço, não à validade da cobrança”, explica John Ulzheimer, presidente de educação ao consumidor na CreditSesame.com.
A lei também oferece proteção robusta contra fraudes. Se as suas informações do cartão de crédito forem roubadas num vazamento de dados — como nos famosos incidentes envolvendo Target e Home Depot — você está protegido. Mesmo que um ladrão use os seus dados online ou por telefone, normalmente você não é responsável por cobranças fraudulentas. “Se o que foi roubado são números de cartão de crédito, os consumidores podem sentir-se relativamente confiantes de que os seus direitos estão protegidos”, afirma Chi Chi Wu, advogada do National Consumer Law Center, em Boston. Segundo a lei, a sua responsabilidade máxima por cobranças não autorizadas é de 50 dólares, embora Visa e MasterCard frequentemente isentem até esse valor.
Detectar e contestar erros de faturação antes que seja tarde demais
Aqui é que o timing se torna tudo. Você tem exatamente 60 dias a partir da data em que a sua fatura foi enviada para reportar uma cobrança incorreta ao seu emissor de cartão. Este é o seu período de oportunidade, e é importante não o perder. Se deixar passar esses 60 dias, o seu banco ainda pode ajudar, mas perde as proteções legais sob a Lei de Faturamento Justo de Crédito.
Por isso, Thomas Nitzsche, da ClearPoint Credit Counseling Solutions, reforça a necessidade de revisar ativamente as faturas. “Há muitas pessoas que não verificam as suas faturas com atenção”, observa. “Simplesmente assumem que a conta está correta.” Essa abordagem casual deu-lhe problemas: Nitzsche descobriu uma cobrança recorrente na sua conta — só que já tinham passado 11 meses. Embora tenha conseguido contestar, o banco só devolveu duas ou três meses de cobranças, porque o prazo de 60 dias tinha expirado para as transações anteriores.
Quando detectar um erro, não basta ligar para o banco e esperar proteção total. “Ligar não é suficiente”, reforça Wu. É preciso enviar a contestação por escrito, preferencialmente por carta registada. Inclua o seu nome, número de conta, o valor contestado e uma explicação do porquê de achar que foi cobrado incorretamente. A Federal Trade Commission oferece um modelo de carta de contestação que pode usar como referência. Se tiver um recibo ou prova — como uma evidência de que foi cobrado 500 dólares em vez dos 50 que concordou pagar — anexe. Contudo, não é obrigatório fornecer documentação. “Se não houver recibo, o emissor do cartão não pode automaticamente rejeitar a sua reclamação”, diz Wu, embora a falta de prova possa dificultar a investigação.
Combater Fraudes: A sua Proteção contra cobranças não autorizadas
Quando o seu cartão é perdido, roubado ou comprometido num vazamento de dados, a Lei de Faturamento Justo de Crédito oferece uma proteção muito maior do que para disputas normais de faturação. Por um lado, não precisa enviar a reclamação por escrito. “Uso não autorizado não exige que dispute a cobrança por escrito”, explica Wu. “Pode fazê-lo por telefone.” Isto é uma grande vantagem em casos de fraude.
Além disso, tem muito mais tempo para reportar cobranças não autorizadas. Enquanto erros de faturação normais devem ser reportados em 60 dias, não há um prazo estrito para uso fraudulento — embora, obviamente, deva reportar assim que descobrir. A realidade é que, mesmo que não perceba que foi vítima até meses após um vazamento de dados, os seus direitos permanecem intactos. A responsabilidade máxima é de 50 dólares por cartão, e na prática, a maioria das redes de cartões isenta até esse valor. Para fraudes online ou por telefone, onde apenas o número do cartão é usado (não o cartão físico), a responsabilidade é zero.
Uma limitação importante: se autorizar alguém a usar o seu cartão — como dar permissão ao seu parceiro para fazer uma compra — não pode contestar essas cobranças sob a Lei de Faturamento Justo de Crédito. “Se dá o seu cartão ou o seu número a alguém, basicamente autorizou essa pessoa a usá-lo”, explica Nessa Feddis, vice-presidente sênior do American Bankers Association. Portanto, se emprestar o seu cartão a um amigo e ele fizer compras que não aprovou, isso não conta como uso não autorizado na lei.
O Processo de Investigação: O que acontece após você apresentar uma disputa
Depois de o seu emissor receber a sua contestação por escrito, começa o prazo de investigação. O banco tem 30 dias para reconhecer o recebimento e informar que está a investigar. Depois, tem duas ciclos completos de faturação para resolver a questão. Durante todo esse período, o banco é legalmente proibido de reportar a cobrança contestada como pagamento atrasado às agências de crédito, e não pode cobrar juros ou tentar cobrar o valor em disputa.
Isto significa que está numa espécie de espera. Muitas pessoas interpretam mal o que esta proteção cobre — e o que não cobre. “Surpreende-me quantas pessoas pensam que não precisam pagar nada na sua conta até a disputa ser resolvida”, diz Ulzheimer. “A lei não lhe dá esse direito. Você não pode esconder-se atrás dela.” Ainda assim, deve pagar o restante da sua fatura em dia. Apenas a parte contestada pode ser retida.
Quando a investigação termina, uma de duas coisas acontece. Se o banco determinar que o erro foi realmente a seu favor, deve corrigir a cobrança e enviar-lhe uma notificação de correção. Quaisquer encargos financeiros ou taxas de atraso relacionados devem ser removidos da sua conta. Mas, se o banco concluir que a cobrança foi correta, pode retomar a tentativa de cobrar a dívida — mas deve fornecer uma explicação por escrito dos seus resultados.
Se discordar da conclusão do banco, tem 10 dias para contestá-la formalmente. Se fizer isso, a Lei de Faturamento Justo de Crédito exige que o banco adicione uma nota ao seu relatório de crédito explicando que a cobrança ainda está em disputa. Essa nota é algo limitada — é “em grande parte cosmética”, como descreve Ulzheimer — mas informa outros credores que a cobrança está sendo contestada. Pode também solicitar ao seu emissor as provas que usou para rejeitar a sua reclamação, o que pode ajudá-lo a entender se a investigação foi suficientemente rigorosa.
Quando não está satisfeito: O direito de reter pagamento
Aqui está uma característica da Lei de Faturamento Justo de Crédito que muitas pessoas desconhecem: se estiver insatisfeito com a qualidade de um produto ou serviço comprado com o seu cartão, tem o direito de reter temporariamente o pagamento dessa cobrança enquanto resolve o problema — mas com condições importantes.
Primeiro, deve fazer um esforço de boa-fé para resolver o problema diretamente com o comerciante. Contacte-o assim que tiver uma reclamação. Só se o comerciante se recusar a colaborar é que pode escalar a questão para a sua operadora de cartão. Diga que não conseguiu resolver o problema e que está a invocar o seu direito de reter pagamento. Nesse momento, o seu emissor deve deixar de reportar a cobrança como inadimplente às agências de crédito enquanto a disputa estiver em curso.
No entanto, há limitações importantes. A compra deve custar mais de 50 dólares, e deve ter sido feita no seu estado ou dentro de 100 milhas do seu endereço postal — a menos que tenha usado um cartão de loja emitido pelo próprio comerciante, caso em que essas restrições não se aplicam. Compras online são particularmente complicadas, pois o direito de reter pagamento em pedidos feitos pela internet depende das leis do seu estado. “Se o seu estado não reconhece esse direito, pode ficar sem ele”, observa Wu.
Outro ponto crucial: deve invocar esta proteção antes de pagar totalmente a sua fatura do cartão. “Se já pagou o valor que está em disputa, não pode reter o pagamento”, afirma Wu. Portanto, se detectar um problema com um produto ou serviço, sinalize-o imediatamente e não pague essa parte da sua conta até que seja resolvido.
Como agir quando os seus direitos são violados
Se acredita que o seu emissor violou os seus direitos sob a Lei de Faturamento Justo de Crédito, tem várias opções. Pode apresentar uma reclamação à Consumer Financial Protection Bureau ou à Federal Trade Commission, ambas investigam queixas de consumidores contra instituições financeiras. Essas agências podem averiguar se o seu banco violou a lei e tomar as ações necessárias.
Também pode consultar um advogado especializado em casos da Lei de Faturamento Justo de Crédito. A National Association of Consumer Advocates mantém um diretório de advogados de defesa do consumidor organizado por região. Um advogado pode avaliar se tem um caso forte e ajudá-lo a prosseguir.
A mensagem principal? Não assuma que as cobranças na sua fatura estão automaticamente corretas, nem que os seus direitos desaparecem se perder um prazo ou cometer um erro na contestação. A Lei de Faturamento Justo de Crédito existe exatamente para lhe dar respaldo quando as coisas correm mal. A lei está do seu lado — mas só se souber usá-la.
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Compreender os Seus Direitos ao Abrigo da Lei de Faturação Justa de Crédito: Um Guia Prático para Proteger o Seu Cartão de Crédito
Se alguém cobrou incorretamente o seu cartão de crédito ou foi cobrado a mais numa compra recente, existe na verdade uma lei federal poderosa a seu favor. A Lei de Faturamento Justo de Crédito, aprovada já em 1974, foi criada especificamente para proteger consumidores como você de erros de faturação e cobranças fraudulentas. O que muitas pessoas não percebem é que esta lei faz muito mais do que apenas permitir contestar uma cobrança incorreta — dá-lhe o direito de reter temporariamente o pagamento de valores contestados sem prejudicar o seu score de crédito, e obriga o seu banco a investigar e corrigir erros, se existirem.
“Erros acontecem”, diz Matt Buckalew, advogado na Looney and Conrad, em Houston. O problema é que a maioria dos consumidores não aproveita totalmente estas proteções. “É realmente preciso revisar as suas faturas com muito cuidado”, enfatiza. Os riscos são reais: antes de esta lei existir, em 1974, consumidores que retinham o pagamento por cobranças incorretas podiam sofrer danos graves no crédito. Hoje, isso já não acontece — mas só se souber usar estes direitos corretamente.
A Base: O que a Lei de Faturamento Justo de Crédito realmente protege
A Lei de Faturamento Justo de Crédito cobre mais situações do que você imagina. Protege-o se for cobrado por engano, como quando há um erro de cálculo na sua fatura ou se for cobrado duas vezes pela mesma compra. Também se aplica se você não receber um item pelo qual pagou, se um comerciante enviar-lhe o produto errado, ou se uma empresa não fornecer o serviço prometido. Contudo — e isto é crucial — a lei NÃO protege se você estiver simplesmente insatisfeito com a qualidade do que comprou ou recebeu. “Isso é uma contestação à qualidade do serviço, não à validade da cobrança”, explica John Ulzheimer, presidente de educação ao consumidor na CreditSesame.com.
A lei também oferece proteção robusta contra fraudes. Se as suas informações do cartão de crédito forem roubadas num vazamento de dados — como nos famosos incidentes envolvendo Target e Home Depot — você está protegido. Mesmo que um ladrão use os seus dados online ou por telefone, normalmente você não é responsável por cobranças fraudulentas. “Se o que foi roubado são números de cartão de crédito, os consumidores podem sentir-se relativamente confiantes de que os seus direitos estão protegidos”, afirma Chi Chi Wu, advogada do National Consumer Law Center, em Boston. Segundo a lei, a sua responsabilidade máxima por cobranças não autorizadas é de 50 dólares, embora Visa e MasterCard frequentemente isentem até esse valor.
Detectar e contestar erros de faturação antes que seja tarde demais
Aqui é que o timing se torna tudo. Você tem exatamente 60 dias a partir da data em que a sua fatura foi enviada para reportar uma cobrança incorreta ao seu emissor de cartão. Este é o seu período de oportunidade, e é importante não o perder. Se deixar passar esses 60 dias, o seu banco ainda pode ajudar, mas perde as proteções legais sob a Lei de Faturamento Justo de Crédito.
Por isso, Thomas Nitzsche, da ClearPoint Credit Counseling Solutions, reforça a necessidade de revisar ativamente as faturas. “Há muitas pessoas que não verificam as suas faturas com atenção”, observa. “Simplesmente assumem que a conta está correta.” Essa abordagem casual deu-lhe problemas: Nitzsche descobriu uma cobrança recorrente na sua conta — só que já tinham passado 11 meses. Embora tenha conseguido contestar, o banco só devolveu duas ou três meses de cobranças, porque o prazo de 60 dias tinha expirado para as transações anteriores.
Quando detectar um erro, não basta ligar para o banco e esperar proteção total. “Ligar não é suficiente”, reforça Wu. É preciso enviar a contestação por escrito, preferencialmente por carta registada. Inclua o seu nome, número de conta, o valor contestado e uma explicação do porquê de achar que foi cobrado incorretamente. A Federal Trade Commission oferece um modelo de carta de contestação que pode usar como referência. Se tiver um recibo ou prova — como uma evidência de que foi cobrado 500 dólares em vez dos 50 que concordou pagar — anexe. Contudo, não é obrigatório fornecer documentação. “Se não houver recibo, o emissor do cartão não pode automaticamente rejeitar a sua reclamação”, diz Wu, embora a falta de prova possa dificultar a investigação.
Combater Fraudes: A sua Proteção contra cobranças não autorizadas
Quando o seu cartão é perdido, roubado ou comprometido num vazamento de dados, a Lei de Faturamento Justo de Crédito oferece uma proteção muito maior do que para disputas normais de faturação. Por um lado, não precisa enviar a reclamação por escrito. “Uso não autorizado não exige que dispute a cobrança por escrito”, explica Wu. “Pode fazê-lo por telefone.” Isto é uma grande vantagem em casos de fraude.
Além disso, tem muito mais tempo para reportar cobranças não autorizadas. Enquanto erros de faturação normais devem ser reportados em 60 dias, não há um prazo estrito para uso fraudulento — embora, obviamente, deva reportar assim que descobrir. A realidade é que, mesmo que não perceba que foi vítima até meses após um vazamento de dados, os seus direitos permanecem intactos. A responsabilidade máxima é de 50 dólares por cartão, e na prática, a maioria das redes de cartões isenta até esse valor. Para fraudes online ou por telefone, onde apenas o número do cartão é usado (não o cartão físico), a responsabilidade é zero.
Uma limitação importante: se autorizar alguém a usar o seu cartão — como dar permissão ao seu parceiro para fazer uma compra — não pode contestar essas cobranças sob a Lei de Faturamento Justo de Crédito. “Se dá o seu cartão ou o seu número a alguém, basicamente autorizou essa pessoa a usá-lo”, explica Nessa Feddis, vice-presidente sênior do American Bankers Association. Portanto, se emprestar o seu cartão a um amigo e ele fizer compras que não aprovou, isso não conta como uso não autorizado na lei.
O Processo de Investigação: O que acontece após você apresentar uma disputa
Depois de o seu emissor receber a sua contestação por escrito, começa o prazo de investigação. O banco tem 30 dias para reconhecer o recebimento e informar que está a investigar. Depois, tem duas ciclos completos de faturação para resolver a questão. Durante todo esse período, o banco é legalmente proibido de reportar a cobrança contestada como pagamento atrasado às agências de crédito, e não pode cobrar juros ou tentar cobrar o valor em disputa.
Isto significa que está numa espécie de espera. Muitas pessoas interpretam mal o que esta proteção cobre — e o que não cobre. “Surpreende-me quantas pessoas pensam que não precisam pagar nada na sua conta até a disputa ser resolvida”, diz Ulzheimer. “A lei não lhe dá esse direito. Você não pode esconder-se atrás dela.” Ainda assim, deve pagar o restante da sua fatura em dia. Apenas a parte contestada pode ser retida.
Quando a investigação termina, uma de duas coisas acontece. Se o banco determinar que o erro foi realmente a seu favor, deve corrigir a cobrança e enviar-lhe uma notificação de correção. Quaisquer encargos financeiros ou taxas de atraso relacionados devem ser removidos da sua conta. Mas, se o banco concluir que a cobrança foi correta, pode retomar a tentativa de cobrar a dívida — mas deve fornecer uma explicação por escrito dos seus resultados.
Se discordar da conclusão do banco, tem 10 dias para contestá-la formalmente. Se fizer isso, a Lei de Faturamento Justo de Crédito exige que o banco adicione uma nota ao seu relatório de crédito explicando que a cobrança ainda está em disputa. Essa nota é algo limitada — é “em grande parte cosmética”, como descreve Ulzheimer — mas informa outros credores que a cobrança está sendo contestada. Pode também solicitar ao seu emissor as provas que usou para rejeitar a sua reclamação, o que pode ajudá-lo a entender se a investigação foi suficientemente rigorosa.
Quando não está satisfeito: O direito de reter pagamento
Aqui está uma característica da Lei de Faturamento Justo de Crédito que muitas pessoas desconhecem: se estiver insatisfeito com a qualidade de um produto ou serviço comprado com o seu cartão, tem o direito de reter temporariamente o pagamento dessa cobrança enquanto resolve o problema — mas com condições importantes.
Primeiro, deve fazer um esforço de boa-fé para resolver o problema diretamente com o comerciante. Contacte-o assim que tiver uma reclamação. Só se o comerciante se recusar a colaborar é que pode escalar a questão para a sua operadora de cartão. Diga que não conseguiu resolver o problema e que está a invocar o seu direito de reter pagamento. Nesse momento, o seu emissor deve deixar de reportar a cobrança como inadimplente às agências de crédito enquanto a disputa estiver em curso.
No entanto, há limitações importantes. A compra deve custar mais de 50 dólares, e deve ter sido feita no seu estado ou dentro de 100 milhas do seu endereço postal — a menos que tenha usado um cartão de loja emitido pelo próprio comerciante, caso em que essas restrições não se aplicam. Compras online são particularmente complicadas, pois o direito de reter pagamento em pedidos feitos pela internet depende das leis do seu estado. “Se o seu estado não reconhece esse direito, pode ficar sem ele”, observa Wu.
Outro ponto crucial: deve invocar esta proteção antes de pagar totalmente a sua fatura do cartão. “Se já pagou o valor que está em disputa, não pode reter o pagamento”, afirma Wu. Portanto, se detectar um problema com um produto ou serviço, sinalize-o imediatamente e não pague essa parte da sua conta até que seja resolvido.
Como agir quando os seus direitos são violados
Se acredita que o seu emissor violou os seus direitos sob a Lei de Faturamento Justo de Crédito, tem várias opções. Pode apresentar uma reclamação à Consumer Financial Protection Bureau ou à Federal Trade Commission, ambas investigam queixas de consumidores contra instituições financeiras. Essas agências podem averiguar se o seu banco violou a lei e tomar as ações necessárias.
Também pode consultar um advogado especializado em casos da Lei de Faturamento Justo de Crédito. A National Association of Consumer Advocates mantém um diretório de advogados de defesa do consumidor organizado por região. Um advogado pode avaliar se tem um caso forte e ajudá-lo a prosseguir.
A mensagem principal? Não assuma que as cobranças na sua fatura estão automaticamente corretas, nem que os seus direitos desaparecem se perder um prazo ou cometer um erro na contestação. A Lei de Faturamento Justo de Crédito existe exatamente para lhe dar respaldo quando as coisas correm mal. A lei está do seu lado — mas só se souber usá-la.