O mistério da morte de Guangxu: cem anos de silêncio revelados por um fio de cabelo

Quando os cientistas analisaram um simples fio de cabelo preservado numa caixa de sândalo por mais de um século, descobriram uma verdade que permanecia oculta: o imperador Guangxu tinha sido lentamente envenenado com arsénico. Esta descoberta, confirmada em 2008, transformou a nossa compreensão de um dos momentos mais trágicos da história imperial chinesa.

A última confissão manuscrita de Guangxu: sintomas silenciosos de uma trama mortal

Seis meses antes de sua morte, Guangxu pegou na pena com uma mão trémula para documentar seu próprio historial médico. Sua letra revelava um corpo e uma mente em declínio. Confessou que, durante duas décadas, sofria de emissões noturnas persistentes, mais de dez episódios mensais, condição que os médicos imperiais atribuíram a deficiências energéticas. No entanto, essa doença crónica era apenas a ponta do iceberg de uma conspiração mais obscura.

Em 9 de março de 1908, no salão Hanyuan do Palácio de Yingtai, Guangxu jazia num corpo esquelético. O médico imperial, após palpar seu pulso fraco, permaneceu em silêncio; não havia palavras para expressar a brevidade de vida que lhe restava. A imperatriz Cixi ordenou que continuassem tratamentos poderosos à base de ginseng e chifre de veado, remédios que provocaram reações catastróficas: Guangxu vomitava sangue após cada dose.

Do registo médico à evidência forense: análises que revelaram a verdade enterrada

O deterioramento físico de Guangxu foi alarmante. Ao pentear-se, seu cabelo caía em fios. Num gesto comovente, pediu a um eunuco que guardasse cada fio numa caixa de madeira de sândalo. Ninguém esperava que este ato refletisse a preservação da prova definitiva de sua morte.

Em 2008, exatamente cem anos após escrever seu último historial médico, as análises laboratoriais surpreenderam a comunidade científica: o conteúdo de arsénico no cabelo de Guangxu era 2,404 vezes superior ao de uma pessoa normal. Este valor não era evidência de envenenamento crónico acidental, mas de intoxicação aguda por arsénico, indicando claramente a administração deliberada de veneno durante os últimos meses de sua vida.

O caminho para o fim: arsénico disfarçado na corte imperial

Os registos da cozinha imperial revelaram mudanças significativas na dieta de Guangxu durante esse período crítico. O seu consumo de alimentos reduziu-se drasticamente, enquanto novas pastas nutritivas surgiam regularmente na sua mesa, caracterizadas por um estranho sabor metálico que ninguém ousava questionar. Em outubro daquele ano, Guangxu já não conseguia levantar-se da cama, agarrando-se desesperadamente aos seus papéis médicos e aos poucos objetos pessoais que lhe restavam.

Pouco antes de sua morte, seus pertences foram descartados erroneamente por uma criada, quase apagando qualquer vestígio de verdade. Onze horas após o falecimento de Guangxu, Cixi também expirou. Os seus funerais foram realizados em conjunto, um encerramento que deixou perguntas sem resposta sobre o que realmente aconteceu no palácio.

Um século de mistério: por que um fio de cabelo se tornou a chave da história

As criadas recordaram que, antes de sua morte, Guangxu se queixava constantemente de um sabor a ferrugem na boca, uma característica típica de intoxicação por metais pesados. Em 1980, uma tentativa de analisar os restos ósseos fracassou devido à degradação de toxinas causada pela infiltração de água durante décadas de sepultamento.

Foi esse fio de cabelo, preservado acidentalmente em condições ideais, que finalmente confirmou a verdade. O cabelo, por sua composição química, retém depósitos de elementos tóxicos de forma mais permanente do que outros tecidos. Este silêncio gravado nas fibras proteicas do cabelo de Guangxu conta a história mais direta: uma tragédia palaciana, um mistério de séculos e a verdade histórica que o tempo quase conseguiu apagar.

Hoje, esse fio repousa numa vitrina sem explicações adicionais. Não precisa de palavras. Sua própria existência narra mais do que qualquer documento, mais do que qualquer confissão: Guangxu foi vítima de uma conspiração que atingiu o auge do poder imperial chinês.

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