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Conheça o CEO das redes sociais que não permite que os seus próprios filhos acedam às redes sociais: ‘Os pais estão alheios ao mundo’
Os adolescentes americanos de hoje estão viciados em redes sociais como se fosse seu trabalho diário, com mais da metade passando quase cinco horas por dia nessas plataformas, de acordo com uma pesquisa Gallup de 2023. Eles navegam, em média, 35 horas por semana, assistindo a milhares de vídeos em aplicativos como TikTok, YouTube e Instagram, enviando centenas de snaps, mensagens e vídeos para amigos — e, em muitos casos, também para estranhos.
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Joe Gagliese, CEO da agência de marketing e criadores de conteúdo Viral Nation, percebeu os perigos. Com sua experiência no universo das redes sociais e seu uso pessoal intenso (ele prefere assistir YouTube a TV, que não possui), abriu os olhos para os horrores da internet e ficou relutante em deixar seus três filhos, de 5, 6 e 14 anos, explorarem o mundo digital livremente.
A empresa de Gagliese trabalha com centenas de criadores que compõem o ambiente do qual ele quer proteger seus filhos. Ele afirmou que parte do problema é a enorme lacuna de conhecimento sobre redes sociais entre pais e filhos. Acredita que, se os pais soubessem o que ele sabe, também restringiriam o tempo de tela dos filhos.
“Esses pais não entendem que seus filhos enviaram 5.000 TikToks ou snaps nos últimos 6 dias”, disse Gagliese à Fortune. “Eles estão alheios ao mundo em que seus filhos vivem.”
À medida que pais ao redor do mundo despertam para os perigos das redes sociais, alguns governos tomaram medidas para impedir que crianças acessem essas plataformas, como a Austrália, que proibiu completamente o uso de redes sociais por adolescentes, e outros países, como França e Dinamarca, que estão considerando seguir o mesmo caminho. Esse debate chegou aos EUA, com a Flórida aprovando uma proibição, e outros tentando implementar restrições, embora enfrentem obstáculos legais.
Gagliese não está sozinho em suas práticas parentais. Outros CEOs de tecnologia, como Peter Thiel, cofundador da Palantir, e Steve Chen, cofundador do YouTube, adotam postura semelhante, buscando proteger seus filhos dos perigos da internet.
Suas regras rígidas
Para os filhos de Gagliese, a dieta de mídia consiste em conteúdo altamente moderado e educativo, equilibrado com atividades offline como esportes, arte e brincadeiras ao ar livre. Ele e sua esposa permitem que seus filhos de 5 e 6 anos tenham sessões curtas de tela por dia, cerca de meia hora, para evitar hábitos de social media que possam levar ao vício. Ele mesmo verifica o conteúdo, garantindo que seja educativo e não apenas clickbait ou conteúdo gerado por IA.
Essa meia hora diária de tela é cerca de duas horas a menos do que o tempo médio que uma criança passa na frente de uma tela. Crianças de até 8 anos gastam cerca de 2,5 horas por dia em dispositivos, segundo um relatório da Common Sense de 2025. E uma em cada cinco crianças de até 13 anos usa redes sociais por quatro horas ou mais por dia, de acordo com a empresa de redes sociais Aura.
A dieta de mídia de sua filha de 14 anos também é limitada a materiais educativos, permitindo, por exemplo, vídeos no YouTube para ajudar com matemática do 9º ano. “Como pai, não me sinto confortável com o nível de maturidade dela ainda para deixá-la explorar tudo que as redes sociais oferecem.”
Gagliese admite que suas regras rígidas podem fazer sua filha se tornar uma excluída, já que muitas de suas amigas usam TikTok e Snapchat regularmente. Mas ele acredita que, na idade dela, os perigos do uso de redes sociais superam seus benefícios. “A recompensa não vale o esforço”, afirmou.
A responsabilidade dos pais
Para deixar claro, Gagliese não apoia proibições estaduais às redes sociais. Afinal, é seu negócio. Na verdade, ele vê as redes sociais como uma ferramenta incrível, se usadas corretamente pelas pessoas certas. Acha ilógico colocar a responsabilidade da regulação nas empresas de tecnologia. “O Facebook não está aqui para ser o pai”, disse.
Ele acredita que essa responsabilidade cabe aos pais e incentiva outros a adotarem as mesmas regras que estabeleceu para seus filhos.
“Precisamos fazer melhor como mães e pais, estabelecer limites e moderação de forma mais eficaz”, afirmou, “e não deixar que isso se torne algo natural no ambiente deles.”
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