A procura de emprego nos EUA diminui – o mercado de trabalho entre a estagnação e o enfraquecimento

Dados recentes do mercado de trabalho dos EUA indicam um enfraquecimento claro da procura por emprego, atingindo o nível mais baixo em 14 meses. O Departamento do Trabalho dos EUA informou que o número de ofertas de emprego caiu em novembro para 7,146 milhões, a maior queda em 14 meses. Ao mesmo tempo, os empregadores permanecem cautelosos em tomar decisões de despedimento em massa, criando uma situação paradoxal que os economistas chamam de “contratação sem cortes”.

Esta dinâmica desfavorável na procura por emprego reforça a convicção de que a Reserva Federal manterá as taxas de juro inalteradas nos próximos meses. Marc Giannoni, economista-chefe do Barclays, comentou: “Os dados JOLTS de novembro mostram uma queda clara no número de ofertas de emprego, com sinais mínimos de deterioração drástica nas condições do mercado.”

Número de ofertas de emprego cai drasticamente – o que dizem os dados

A procura por emprego, medida pelo número de vagas disponíveis, diminuiu em 303.000 posições. Em relação a outubro, quando havia 7,449 milhões de vagas, trata-se de uma regressão significativa. Analistas entrevistados pela Reuters esperavam 7,60 milhões de vagas, mas o mercado mostrou-se mais pessimista.

A relação entre ofertas de emprego e desempregados é de apenas 0,91, o nível mais baixo desde março de 2021. Isso significa que, para cada pessoa à procura de emprego, há menos de uma vaga disponível – um sinal de forte enfraquecimento da procura dos empregadores. O índice geral de vagas caiu para 4,3%, de 4,5% em outubro.

O emprego caiu 253.000, atingindo 5,115 milhões. Apesar do crescimento económico sólido no terceiro trimestre de 2025, os aumentos no emprego permanecem fracos, sugerindo uma desconexão entre a expansão económica e a criação de novos postos de trabalho.

Incerteza política afeta a procura por emprego – tarifas e automação por IA como obstáculos à contratação

Economistas concordam que dois fatores principais estão a restringir a procura por emprego. Primeiro, a imprevisibilidade da política comercial, especialmente relacionada às tarifas de importação propostas, leva as empresas a adiar processos de recrutamento. O Supremo Tribunal dos EUA deveria emitir na sexta-feira (7 de janeiro) uma decisão sobre a legalidade das tarifas globais amplas do presidente Donald Trump – essa decisão judicial pendente coloca em risco toda a estratégia de contratação das corporações.

Em segundo lugar, a integração da inteligência artificial em várias áreas de negócio reduz a necessidade de pessoal. Alguns empregadores estão ativamente a substituir funções humanas por soluções automatizadas, o que diminui ainda mais a procura pela força de trabalho tradicional.

Sarah House, economista sénior do Wells Fargo, alertou: “Embora o número de despedimentos permaneça moderado, o baixo índice de rotatividade voluntária aumenta o risco de que as empresas que desejam reduzir o quadro de funcionários possam ser cada vez mais obrigadas a fazer cortes, em vez de depender da rotatividade natural.”

Por setores – onde a procura por emprego desaparece e onde aumenta

A diminuição da procura por emprego não é uniforme. O setor de alojamento e restauração sofreu as maiores perdas – com uma redução de 148.000 vagas. Saúde e serviços sociais registaram uma queda de 66.000 vagas, apesar de terem sido os principais motores de crescimento do emprego no ano anterior.

Transporte, armazenamento e serviços públicos tiveram uma redução de 108.000 vagas, enquanto o setor de atacado perdeu 63.000 ofertas. Na administração pública, a queda foi de 89.000 posições, principalmente nos governos estaduais e locais. Apenas a administração federal apresentou crescimento – mais 8.000 postos.

De forma positiva, o setor da construção adicionou 90.000 ofertas de trabalho, e o comércio a retalho aumentou em 121.000 vagas, provavelmente devido aos preparativos para a época natalícia. Nesse setor, a procura por emprego permaneceu resistente à tendência geral de queda.

Despedimentos em níveis historicamente baixos – mas a rotatividade voluntária diminui

O número de despedimentos caiu 163.000, para 1,687 milhões. Essa postura é típica da fase atual da economia – os empregadores preferem manter equipes menores do que tomar medidas drásticas. Ao mesmo tempo, as saídas voluntárias aumentaram em 188.000, para 3,161 milhões, elevando o índice para 2,0% de 1,9%.

Este paradoxo – baixa procura por emprego combinada com despedimentos reduzidos – cria uma dinâmica única no mercado. Os trabalhadores perdem motivação para mudar de emprego, pois as perspetivas de contratação permanecem incertas, o que reduz ainda mais a rotatividade natural do mercado de trabalho.

Dados para os próximos meses – procurando novos sinais

O Bureau of Labor Statistics deve publicar na sexta-feira as previsões para dezembro, esperando-se um aumento de 60.000 empregos no setor não agrícola. Os dados do ADP sobre o emprego no setor privado mostraram um crescimento de 41.000 no mês passado, mas Carl Weinberg, da High Frequency Economics, alertou: “O sinal visual sugere que houve criação de empregos em dezembro, mas a uma velocidade relativamente lenta.”

A taxa de desemprego deve situar-se em 4,5% em dezembro, uma redução em relação aos 4,6% de novembro. Esses indicadores serão cruciais para avaliar a verdadeira capacidade do mercado de trabalho de gerar novas posições.

Perspetivas para 2026 – o retorno da procura por emprego?

O Institute for Supply Management (ISM) revelou que o seu índice de gestores de compras no setor de serviços subiu para 54,4 em dezembro, de 52,6 em novembro. O índice de emprego nos serviços recuperou para 52,0%, após seis meses de quedas – o primeiro sinal positivo nas últimas semanas.

Ben Ayers, economista sénior da Nationwide, expressou um otimismo moderado: “Um crescimento económico estável e consistente em 2026 deve manter o setor de serviços numa fase sólida de expansão ao longo do ano, especialmente se os estímulos fiscais produzirem os efeitos esperados.”

A economia dos EUA pode receber apoio de cortes fiscais e da diminuição da incerteza na política comercial. No entanto, a imprevisibilidade continua a ser a principal ameaça à recuperação da procura por emprego nos próximos meses. Muito dependerá das decisões judiciais e do rumo da política comercial da nova administração.

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